A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgaram notas nesta quarta-feira (4) após relatório da Polícia Federal apontar mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com menção a um plano para agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
As conversas foram citadas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que autorizou medidas na Operação Compliance Zero.
Segundo a investigação, as mensagens foram trocadas em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, apontado como utilizado para monitorar e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do empresário.
Em um dos diálogos, Vorcaro escreveu:
“Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
Em outra conversa, mencionou uma funcionária.
“Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”.
Na sequência, determinou que fosse levantado o endereço da pessoa citada.
Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que os diálogos indicam possível planejamento de agressão contra o jornalista.
“A partir de todos esses diálogos, verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
A ANJ manifestou solidariedade ao jornalista e ao jornal O Globo. A entidade afirmou que o episódio representa tentativa de intimidação contra a atividade jornalística.
A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro também divulgaram nota sobre o caso.
“A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) manifestam seu mais veemente repúdio às gravíssimas denúncias reveladas pelas investigações da Polícia Federal, que apontam a existência de um plano criminoso para intimidar e agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo e da Rádio CBN.”
Segundo a nota, as investigações indicam ações de monitoramento e violência contra o jornalista.
“Segundo as apurações, o banqueiro Daniel Vorcaro teria articulado ações de monitoramento, perseguição e violência física com o objetivo explícito de calar um jornalista em razão do exercício de sua atividade profissional.”
A Fenaj também afirmou que o episódio representa ameaça à liberdade de imprensa.
“Trata-se de um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia.”
As entidades defenderam apuração das denúncias e responsabilização dos envolvidos.
“Exigimos a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização exemplar de todos os envolvidos e a adoção de medidas efetivas de proteção aos profissionais da comunicação.”
Nota de defesa do Vorcaro
“A assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro esclarece que o empresário informou, no momento de sua prisão, que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto.
Afirmou textualmente que “sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas. Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência.”
Vorcaro segue colaborando com as autoridades competentes e confia que a análise completa das informações esclarecerá definitivamente as interpretações equivocadas que vêm sendo divulgadas.”