A Polícia Federal apreendeu um manuscrito com orientações detalhadas para exclusão de dados digitais durante buscas realizadas na residência de Rui Carvalho Bulhões Júnior, ex-chefe de gabinete da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
A diligência integrou uma das fases da Operação Unha e Carne, que apura o suposto repasse de informações sigilosas a integrantes do Comando Vermelho.
O documento, segundo a corporação, continha instruções para apagar conteúdos armazenados em celulares e desabilitar sistemas de backup dos aparelhos. As informações são do jornal O Globo.
O material estava junto a dispositivos eletrônicos recolhidos no imóvel, localizado em Botafogo, na Zona Sul do Rio. De acordo com os investigadores, os celulares pertencentes ao ex-assessor foram encontrados desligados e posicionados ao lado da cama.
Veja o manuscrito:
A apreensão foi descrita no relatório final encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual a PF indiciou o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, além de outras três pessoas.
Eles são investigados por suposto vazamento de informações policiais à facção criminosa. Bulhões, apesar de ter sido alvo de busca e apreensão, não integra a lista de indiciados.
Conforme o relato da Polícia Federal, “junto com esses aparelhos, foi localizado um manuscrito contendo instruções para exclusão de dados telemáticos e pessoais, bem como orientações sobre a desabilitação de backups de dispositivos”.
Durante a operação, os agentes recolheram três iPhones, dois pen drives, três agendas, duas pistolas e cerca de 150 munições no apartamento do ex-chefe de gabinete. O conteúdo apreendido passou a integrar o conjunto probatório analisado no inquérito que tramita no STF.
A investigação busca esclarecer se informações de investigações policiais teriam sido repassadas a integrantes do Comando Vermelho, o que teria comprometido ações de segurança pública no estado.