“Agiram, junto a alguns assessores do presidente Trump e a reunião com ele, que seria virtual na quarta-feira, foi desmarcada e não foi remarcada até agora”, informou o ministro em entrevista à GloboNews. Ele ainda citou uma entrevista do deputado federal Eduardo Bolsonaro, dizendo que “não há como não relacionar uma coisa com a outra”.
“Argumentaram falta de agenda, uma situação bem inusitada”, prosseguiu Haddad, que disse ainda que a situação do Brasil é “completamente diferente” da de outros países, porque há no País uma força política que faz “uma espécie de ‘antidiplomacia’”.
Todos os demais países, como Japão e Coreia do Sul, e a União Europeia conseguiram marcar conversas para negociar o tarifaço. O Brasil não tem tido o mesmo acesso, diz Haddad.
O ministro disse que a afirmação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a necessidade de uma ligação do presidente brasileiro ao presidente americano é, “no mínimo, um pouco ingênua”.
“Talvez seja uma pessoa que não tenha ainda o traquejo das relações internacionais. Não funciona assim”, afirmou o ministro. Ele frisou a necessidade de uma “preparação prévia” para estabelecer o contato entre chefes de Estado e afirmou que há uma “resistência em função da atuação de pseudo brasileiros em Washington”.
“Eu penso que o governador está sendo um pouco ingênuo de imaginar que esse telefonema é a chave de todas as portas. Não é”, completou Haddad.
Haddad considerou que os EUA estão mudando a relação com o mundo inteiro e que não é questão meramente ideológica. Ele citou o caso da Índia para afirmar que há uma “mudança de postura geopolítica global” por parte dos americanos.