O comércio entre Brasil e Israel tem mostrado um crescimento relevante nos últimos anos, refletindo uma parceria estratégica que abrange setores como agronegócio, tecnologia, defesa e inovação. Apesar da recente queda no volume de trocas comerciais, há uma projeção realista e ambiciosa: essa relação pode alcançar a marca de US$ 10 bilhões até 2034.
Panorama Atual do Comércio Brasil-Israel
Em 2024, o comércio bilateral entre Brasil e Israel totalizou aproximadamente US$ 2 bilhões, uma retração de cerca de 48% em relação ao ano anterior. A redução foi influenciada por fatores geopolíticos e diplomáticos, mas o potencial de retomada permanece alto, sustentado pelo interesse mútuo e pela complementaridade entre as economias.
Acordo de Livre Comércio Mercosul-Israel: Um Catalisador Econômico
Em vigor desde 2010, o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel eliminou tarifas para uma variedade de produtos, promovendo integração econômica e criando um ambiente favorável para empresas brasileiras explorarem o mercado israelense com maior competitividade.
Setores Estratégicos com Potencial de Crescimento
Diversos setores se destacam como oportunidades-chave para a ampliação da parceria:
Agronegócio
O Brasil é um dos maiores fornecedores globais de alimentos, e Israel tem forte demanda por importações agropecuárias. Em 2024, o Brasil exportou US$ 442 milhões em produtos do agro para Israel, com destaque para carne bovina, soja, cereais e café.
Tecnologia e Inovação
Israel é um polo global de startups e desenvolvimento tecnológico. Parcerias entre empresas brasileiras e israelenses em áreas como saúde, inteligência artificial, segurança alimentar e energia sustentável podem impulsionar soluções aplicáveis em larga escala.
Defesa e Segurança
As relações na área de defesa, incluindo cibersegurança, seguem ativas. A expertise israelense é vista como estratégica para a modernização dos sistemas de defesa e proteção digital no Brasil.
Energia e Recursos Naturais
Colaborações em energias renováveis, gestão de água e dessalinização são prioridades conjuntas, especialmente com a crescente demanda por soluções sustentáveis.
Diplomacia Econômica e Relações Bilaterais
Mesmo com divergências políticas pontuais, Brasil e Israel mantêm uma relação diplomática sólida. A diplomacia econômica, articulada por entidades como a CNBI (Confederação Nacional das Câmaras de Comércio Brasil-Israel), tem se mostrado eficaz para preservar e fortalecer os laços comerciais por meio de missões empresariais, feiras e negociações bilaterais.
Potencial Ampliado: Oriente Médio, Acordos de Abraão e o GFCC
Desde a assinatura dos Acordos de Abraão, Israel ampliou significativamente sua integração com países da Península Arábica, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão — com Arábia Saudita e Omã observando e participando ativamente de negociações indiretas.
Esse movimento reposiciona Israel como ponte estratégica entre o Ocidente e o Oriente Médio, criando um corredor logístico e comercial altamente relevante para o Brasil.
Além disso, países como Omã fazem parte do GFCC (Global Federation of Competitiveness Councils), ao lado de Japão, Reino Unido, Grécia, Brasil e outros. Isso reforça o compromisso desses países árabes com inovação, produtividade e abertura econômica.
Países Árabes Mais Ricos: Um Mercado de Alto Valor
Os países mais ricos da região, em termos de PIB per capita, também são os mais abertos a importações de alimentos, bens industriais e tecnologia:
Catar – US$ 124.900
Emirados Árabes Unidos – US$ 68.000
Kuwait – US$ 65.800
Arábia Saudita – US$ 54.500
Bahrein – US$ 49.000
Omã – US$ 46.000
Em 2024, o Brasil exportou US$ 23,68 bilhões para o mundo árabe — com potencial de crescimento por meio de acordos trilaterais envolvendo Israel, ampliando o impacto da política comercial brasileira na região.
Projeções e Oportunidades até 2034
A meta de US$ 10 bilhões até 2034 é sustentada por fundamentos concretos: acordos vigentes, complementariedade econômica, alta demanda por produtos brasileiros e a resiliência de setores privados em manter a cooperação ativa.
O reposicionamento regional de Israel dentro do Oriente Médio não só beneficia as relações bilaterais, como também transforma o país em um hub para redistribuição de produtos brasileiros para mercados árabes de alto poder aquisitivo.
Um Futuro Compartilhado de Oportunidades
A convergência entre o dinamismo econômico brasileiro e a vocação israelense para a inovação cria um cenário ideal para uma transformação nas relações comerciais. Mais do que cifras, esse número representa um novo patamar de confiança e ambição compartilhada.
Para empresários, investidores e líderes estratégicos, a pergunta não é mais “se”, mas “quando” e “como” participar.
O futuro do comércio Brasil-Israel não é apenas promissor — é inevitável
Autor: Ric Scheinkman