A nova modalidade de empréstimo consignado para trabalhadores CLT e MEI, lançada pelo governo no mês passado, já tem juros maiores do que o esperado e podem chegar a 6% ao mês em algumas instituições financeiras. Um levantamento divulgado nesta quarta (2) pelo Valor Econômico aponta que a contratação antiga, que necessitava de um convênio entre empresas e bancos, oferecia uma média de 2,9%.
Isso fez o governo mudar o tom das campanhas sobre o programa “Crédito para o Trabalhador” para incentivar as pessoas a pesquisarem os juros cobrados antes de contratarem um novo empréstimo. A expectativa era de que as taxas chegassem a 3,7%.
Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que o programa já liberou R$ 3,1 bilhões em empréstimos consignados para pouco mais de 500 mil trabalhadores em três semanas. Ao todo, diz, foram 501 mil contratos com valor médio de R$ 6,2 mil, com valor médio de R$ 350,11 e prazo médio de 18 meses.
Apesar da disparada dos juros cobrados pelas instituições financeiras, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, disse esperar que as taxas caiam gradualmente com a entrada dos grandes bancos. Por enquanto, segundo ele, o maior movimento é de fintechs e financeiras.
“A nova linha foi concebida para oferecer condições melhores em relação às taxas do consignado anterior e os bancos estão focados e empenhados para ofertar a nova linha em condições mais vantajosas”, disse ao Valor.
De acordo com ele, os bancos poderão ofertar o consignado privado em seus próprios canais a partir do dia 25, com a portabilidade de operações a partir de junho e o uso de 10% do FGTS como garantia a partir de julho.
“Isso [queda dos juros] vai ocorrer”, completou.
Fonte: Gazeta do Povo