O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin homologou nesta sexta-feira (6) o acordo de colaboração premiada do empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da gestora de investimentos Reag. A delação foi negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no fim de agosto e reúne informações sobre a estrutura financeira utilizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e outros possíveis envolvidos nas irregularidades investigadas.
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Mansur se comprometeu a pagar aproximadamente R$ 40 milhões e apresentou 17 anexos com informações e elementos que pretende compartilhar com os investigadores. Entre os assuntos abordados estão a movimentação de recursos por meio de fundos de investimento, a utilização de empresas para ocultar patrimônio e os caminhos percorridos por valores enviados ao exterior.
O material também indicaria possíveis responsáveis pela estrutura que levou à crise do conglomerado Master, além de operadores financeiros e conexões políticas. Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, a colaboração detalha fundos e empresas que teriam sido utilizados para desviar recursos e ampliar artificialmente patrimônios. As declarações ainda dependem de apuração e eventual confirmação por provas independentes.
A homologação ocorreu após meses de indefinição no Supremo. O acordo havia sido encaminhado inicialmente ao gabinete do ministro André Mendonça, que era o relator das investigações relacionadas ao Banco Master. A análise ficou pendente em meio à disputa sobre a condução dos procedimentos no tribunal, até que Fachin assumiu a tramitação das petições relacionadas ao caso.
A colaboração de Mansur avança enquanto as tentativas de Daniel Vorcaro de negociar um acordo próprio enfrentam resistência dos investigadores. Segundo relatos publicados pela imprensa, a proposta do ex-controlador do Master não teria apresentado, até então, elementos considerados suficientes para avançar nas negociações.
Investigação
A Reag foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em janeiro de 2026, após a identificação de problemas econômico-financeiros e violações às normas do sistema financeiro. A instituição entrou no radar das autoridades por sua atuação na administração de fundos relacionados às operações investigadas no escândalo do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A gestora também foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado na economia formal, especialmente no setor de combustíveis. As investigações examinam possíveis conexões entre estruturas financeiras e recursos de origem criminosa.
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