O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política desencadeada pelo fechamento do banco digital Ueno e ao avanço de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo e seu vice, Pedro Alliana. A saída ainda depende de aprovação do Congresso paraguaio, que deverá convocar uma sessão para analisar o pedido.
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A crise ganhou força após o Banco Central do Paraguai iniciar, na terça-feira (3), o processo de liquidação do Ueno Bank. A decisão foi tomada depois que a autoridade monetária identificou problemas nos indicadores de solvência da instituição, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
O episódio provocou uma onda de insatisfação entre clientes e colocou o governo sob pressão. A oposição passou a questionar a atuação dos órgãos reguladores e a relação de Peña com o conglomerado responsável pelo banco. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição, até março de 2025.
O Ueno atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões, o equivalente a R$ 4,6 bilhões, em depósitos públicos. Entre os recursos mantidos na instituição estavam valores pertencentes ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.
Parlamentares oposicionistas acusaram Peña de conflito de interesses, interferência na fiscalização do sistema financeiro, desvio de recursos previdenciários e omissão das autoridades monetárias diante das irregularidades.
Durante uma sessão no Congresso, a deputada Rocío Vallejo responsabilizou diretamente o presidente pelos prejuízos provocados pelo fechamento da instituição. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai”, afirmou.
Antes de anunciar a renúncia, Peña declarou, em publicação na rede social X, que os responsáveis pelas irregularidades seriam submetidos à Justiça, sem distinção. O presidente também promulgou uma lei destinada a acelerar a devolução dos valores aos clientes afetados pelo encerramento das atividades do banco.
Na manifestação, pediu que as forças políticas priorizassem os interesses dos poupadores diante da crise.
Trajetória política
Economista de 47 anos, Santiago Peña foi eleito em abril de 2023 pelo Partido Colorado, legenda tradicional da direita paraguaia. Ele assumiu a Presidência no lugar de Mario Abdo Benítez, também integrante da sigla.
Antes de chegar ao Executivo, construiu carreira na área econômica. Formado pela Universidad Católica Nuestra Señora de Asunción, trabalhou no Banco Central do Paraguai e fez pós-graduação na Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Aos 30 anos, ingressou no Fundo Monetário Internacional (FMI), onde atuou no departamento responsável por assuntos relacionados à África.
De volta ao Paraguai, retomou a carreira no Banco Central e, entre 2015 e 2017, comandou o Ministério da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes (2013-2018). Foi nesse período que ingressou no Partido Colorado.
Peña chegou a disputar as prévias presidenciais da legenda em 2018, mas perdeu para Mario Abdo Benítez. Cinco anos depois, voltou à disputa interna, venceu e conquistou a eleição presidencial de 2023.
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