MP Eleitoral pede cassação de governador eleito do Pará – Paulo Figueiredo

MP Eleitoral pede cassação de governador eleito do Pará

Daniel Santos e outros dois políticos são acusados de utilizar projeto social para obter vantagens eleitorais em 2026

O Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) apresentou uma ação ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) contra o governador eleito Daniel Santos (Podemos), por suspeita de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2026.

O órgão pede a cassação dos registros ou diplomas e a inelegibilidade por oito anos de Daniel, da deputada federal reeleita Alessandra Haber, mulher do governador eleito, e do deputado estadual eleito Alexandre Gomes, ambos do Podemos.

A ação, protocolada na segunda-feira, 26, aponta o suposto uso eleitoral do projeto social Olhar Cidadão, que oferecia consultas oftalmológicas, exames de vista e óculos gratuitos a pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo o MP, os atendimentos realizados em dezembro de 2025 serviram para promover a imagem dos políticos antes do período eleitoral.

Na época, Daniel era prefeito de Ananindeua e pré-candidato ao governo estadual. A denúncia afirma que o projeto utilizava banners, veículos adesivados e materiais com imagens dos investigados. Em uma das ações, mais de cem óculos teriam sido distribuídos em estojos personalizados com fotografias dos três.

Outros detalhes da investigação contra o governador do Pará

O MP também questiona a origem dos recursos. Segundo a Procuradoria, os investigados alegaram que as atividades eram financiadas por doações privadas, mas não apresentaram documentos comprobatórios.

O órgão sustenta que o uso de recursos privados poderia configurar abuso de poder econômico, enquanto o emprego de verbas públicas caracterizaria abuso de poder político.

Em fevereiro, o TRE-PA já havia multado os três políticos em R$ 5 mil cada um por propaganda eleitoral antecipada relacionada ao projeto. A Justiça identificou o chamado “efeito outdoor” provocado pela publicidade das ações.

Além da cassação e da inelegibilidade, o MP solicita a suspensão das atividades do Olhar Cidadão vinculadas aos investigados, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Também pede documentos financeiros e eventual quebra de sigilo bancário.

O g1 procurou os três políticos, mas não havia recebido resposta até a última atualização da reportagem. Os investigados deverão apresentar defesa à Justiça Eleitoral.

Crédito Revista Oeste

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