Operação envolve quatro bancos privados e integra plano de recuperação financeira da estatal, que acumula prejuízos bilionários
Os Correios terão acesso a mais R$ 7 bilhões em crédito com garantia da União. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, assinou na terça-feira 27 o despacho que autoriza o aval do Tesouro Nacional. O documento saiu no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta-feira, 28.
A nova operação integra o plano de recuperação financeira da estatal, que prevê até R$ 20 bilhões em empréstimos. A empresa enfrenta uma sequência de resultados negativos: fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e acumulou perdas superiores a R$ 5,5 bilhões nos seis primeiros meses de 2026.
Quatro bancos privados — Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan — estruturarão o financiamento. A operação dependia da garantia federal, que aguardava formalização desde setembro.
Estatal busca recompor o caixa
O empréstimo deve ter prazo de até 15 anos, carência de três anos e custo estimado em 114% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Com a garantia, a União assumirá o papel de garantidora da dívida.
A nova captação vem na esteira de outra operação de crédito. Em dezembro de 2025, os Correios contrataram R$ 12 bilhões com garantia federal. Na ocasião, a empresa destinou os recursos ao reforço do caixa e ao pagamento de compromissos, incluindo salários e fornecedores.
O plano de recuperação também prevê medidas para reduzir despesas e ampliar receitas. Entre as iniciativas estão venda de ativos, programas de desligamento voluntário e revisão de contratos.
A estratégia combina novos financiamentos com mudanças na estrutura de custos da estatal. Os resultados negativos registrados em 2025 e no primeiro semestre de 2026, porém, dimensionam o desafio financeiro que a empresa enfrenta.
