O mercado financeiro brasileiro inicia esta manhã (27) em busca de recuperação após a forte queda registrada na véspera, na primeira sessão depois da reeleição de Presidente Lula. Na segunda-feira (26), o Ibovespa recuou 13,88%, o dólar subiu 8,21% e a Bolsa acionou o mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas acentuadas.
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A reação dos investidores colocou as contas públicas e os próximos passos da política econômica no centro das atenções. A expectativa é que o governo apresente sinais sobre o cumprimento da meta fiscal e a composição da equipe econômica. No exterior, a reunião do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, também influencia os negócios.
No pré-mercado americano, o fundo de ações brasileiras EWZ apresentava recuperação moderada pela manhã, após ter recuado 19,82% na sessão anterior. O movimento ainda não confirma uma retomada consistente da Bolsa brasileira.
Citi e BCA reduzem recomendações para o Brasil
A cautela com os ativos brasileiros aumentou após o Citigroup e a BCA Research revisarem suas recomendações depois do resultado eleitoral. As instituições apontaram riscos relacionados à disciplina fiscal, à trajetória da dívida pública e ao ritmo de reformas econômicas.
O Citi encerrou sua posição favorável às ações brasileiras e desfez a aposta na valorização do real. A BCA reduziu a recomendação para ações do país de neutra para abaixo da média, além de rebaixar suas avaliações para títulos em moeda local e crédito soberano brasileiro.
A BCA citou riscos maiores de inadimplência, perspectivas mais fracas de crescimento e pressão inflacionária associada à desvalorização do real. As avaliações refletem a preocupação de investidores com a condução econômica do novo mandato.
Na segunda-feira, o dólar chegou a R$ 5,60 durante as negociações e fechou a R$ 5,4029. O Ibovespa terminou aos 176.608 pontos, depois de atingir mínima de 169.516 pontos. O volume financeiro chegou a R$ 88,6 bilhões, segundo dados divulgados após o pregão.
Contas públicas e equipe econômica concentram expectativas
O mercado aguarda indicações sobre como o governo pretende conduzir a política fiscal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Executivo pretende discutir mudanças legais ou constitucionais para buscar formalmente o centro da meta fiscal.
Entre os temas em avaliação estão as despesas obrigatórias, as emendas parlamentares, os supersalários e as aposentadorias especiais. As discussões ainda precisam resultar em propostas concretas, com estimativas de impacto nas contas públicas e articulação para aprovação no Congresso.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, também apontou a discussão de medidas relacionadas à meta fiscal e a aprovação do Orçamento de 2027 como prioridades.
A definição do comando da equipe econômica é outro ponto acompanhado pelos investidores. Geraldo Alckmin e Rafael Fonteles foram citados entre os nomes cogitados para o Ministério da Fazenda, mas, até o momento das informações reunidas, não havia anúncio oficial de escolha.
A reação dos mercados dependerá não apenas dos nomes indicados, mas também das medidas econômicas que forem apresentadas e da capacidade política de colocá-las em prática.
Tesouro atua após disparada dos juros
A forte oscilação dos mercados também levou o Tesouro Nacional a realizar operações de recompra de títulos públicos e cancelar ofertas regulares de papéis prefixados e indexados à inflação previstas para a semana.
Nesta terça-feira, está previsto um leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos cuja remuneração acompanha a taxa Selic. O recebimento de propostas está programado para as 11h às 11h30.
No câmbio, o Banco Central tem prevista para as 11h30 uma operação de rolagem de até US$ 4 bilhões em contratos de swap cambial. A operação renova contratos existentes e não deve ser confundida com uma intervenção extraordinária para injetar dólares no mercado.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também participa às 11h de uma entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira. As declarações serão acompanhadas em meio à alta do dólar e dos juros futuros.
A mudança nas condições financeiras também afetou as projeções para a taxa básica de juros. Um levantamento da Broadcast com 14 instituições, realizado após a eleição, apontou mediana de 12,75% para a Selic ao fim de 2027, acima dos 11,75% indicados pelo levantamento Focus citado na publicação. As pesquisas têm períodos de coleta e amostras diferentes.
Congresso terá papel na agenda fiscal
A capacidade do governo de aprovar medidas econômicas também depende das negociações com o Congresso. Lula informou aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, que o PT apoiará a recondução dos dois aos cargos em fevereiro.
O encontro no Palácio da Alvorada ocorreu enquanto o Executivo busca organizar sua base parlamentar para a próxima legislatura. A aprovação do Orçamento de 2027 e eventuais mudanças nas regras fiscais exigirão articulação com as duas Casas.
O cenário político também entra no cálculo dos investidores. A composição do Congresso e a relação entre o Planalto e os parlamentares podem influenciar a aprovação de medidas sobre despesas públicas e metas fiscais.
Bolsas internacionais e decisão do Fed
No exterior, os investidores acompanham o início da reunião de dois dias do Federal Reserve. A decisão sobre os juros americanos será anunciada na quarta-feira (28), e o mercado busca sinais sobre os próximos passos da política monetária.
Os futuros dos principais índices de Wall Street apontavam alta moderada durante a manhã, enquanto as bolsas europeias apresentavam desempenho misto. O comportamento dos mercados internacionais pode influenciar o apetite por risco, mas não elimina as incertezas específicas da economia brasileira.
Na agenda corporativa, a Gerdau divulgou lucro líquido ajustado de R$ 1,523 bilhão no terceiro trimestre, alta de 39,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia também anunciou R$ 666,9 milhões em dividendos. A Hypera tem divulgação de resultados prevista para depois do fechamento do mercado.
A combinação entre os desdobramentos fiscais, a definição da equipe econômica e o cenário internacional deve orientar os negócios ao longo do dia. Após a forte liquidação de segunda-feira, investidores acompanham se a recuperação inicial terá continuidade ou se a volatilidade permanecerá elevada.
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