O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou nesta segunda-feira (12) de possível ação deliberada a falha que deixou sua propaganda eleitoral sem áudio na televisão. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que seu programa foi transmitido sem som enquanto a propaganda do presidente Lula (PT), adversário no segundo turno, foi exibida normalmente.
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“Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência”, declarou Flávio. “Eles acham que vão calar minha voz, não vão calar, não vão conseguir, não adianta. Isso não acontece por acaso”, acrescentou.
O problema ocorreu por volta das 13h, durante o horário eleitoral gratuito, no feriado de Nossa Senhora Aparecida. As imagens da propaganda de Flávio foram exibidas, mas o áudio não pôde ser ouvido adequadamente. Na sequência, o programa de Lula foi transmitido com som.
Após reclamar do episódio, Flávio pediu que apoiadores compartilhassem a íntegra da propaganda, com áudio, em redes sociais e grupos de WhatsApp. “Então, olha aí meu programa eleitoral, compartilhe com o máximo de pessoas que você puder nas suas redes, nos seus grupos de WhatsApp, porque a mudança já chegou”, afirmou.
Segundo o SBT News, a falha teve origem na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela geração do sinal, e atingiu as transmissões. A campanha de Flávio afirmou que o material havia sido entregue em condições adequadas e que acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Custo de vida e propostas econômicas
A propaganda foi preparada especialmente para o feriado de Nossa Senhora Aparecida. No início do vídeo, a campanha associa a data religiosa à necessidade de mudanças no país e apresenta relatos de consumidores sobre o custo dos alimentos.
“Tá muito caro as coisas no mercado?”, pergunta uma pessoa durante a gravação. Outra responde que uma compra de R$ 100 já não é suficiente para levar muitos produtos. O programa usa os depoimentos para criticar a situação econômica e defender a candidatura do senador.
“Agora, o que não pode continuar é o Brasil do jeito que tá, com todo mundo com medo de andar nas ruas, no sufoco, com as contas atrasadas e o carrinho do supermercado vazio”, diz a narração.
Na sequência, Flávio apresenta propostas de governo sob o slogan “O Brasil vai mudar”. Entre as medidas anunciadas está um “tesouraço” nos impostos, com a promessa de reduzir a parcela da renda destinada ao governo e ampliar o dinheiro disponível para as famílias.
A campanha também defende a criação de um voucher-creche para garantir vagas às crianças e permitir que as mães estudem, trabalhem ou empreendam. Outra proposta é a Rede Teia Brasil, apresentada como uma estrutura de centros de referência voltada ao acolhimento, à inclusão e ao desenvolvimento de crianças, com atenção às famílias e às mães atípicas.
Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida
A propaganda dedica parte do tempo à participação de mulheres que apoiam a candidatura. A economista Daniella Marques afirma que os benefícios sociais serão mantidos e aprimorados em um eventual governo do senador. A senadora Tereza Cristina também participa do programa, destacando a capacidade de diálogo de Flávio e sua atuação no Senado.
O vídeo apresenta ainda compromissos com a manutenção de programas federais. Questionado sobre o Farmácia Popular, o candidato responde que o programa continuará. Sobre o Minha Casa, Minha Vida, promete manter a iniciativa e reduzir o valor das prestações. Em relação ao Bolsa Família, afirma que pretende preservar o benefício, reajustá-lo e permitir que trabalhadores empregados continuem recebendo os recursos, conforme as regras que venham a ser estabelecidas.
Na área da saúde, Flávio promete elevar o padrão de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), comparando o objetivo ao nível do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A peça também defende medidas para combater a violência contra as mulheres, ampliar o acolhimento e aumentar a participação feminina nas decisões do governo.
Ao final, o programa retoma o discurso de mudança e segurança pública. A campanha critica a situação da criminalidade e questiona declarações do atual presidente sobre o tema.
