O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), presidente nacional do partido, protocolou no Senado pedidos de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. As representações atribuem aos magistrados supostos crimes de responsabilidade e foram apresentadas em meio às investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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O pedido contra Mendonça foi apresentado em 24 de setembro. As representações contra Nunes Marques e Fux foram protocoladas em 29 de setembro. Cada documento apresenta fundamentos específicos, embora os três mencionem relações dos ministros ou de pessoas próximas a eles com Vorcaro.
A iniciativa ocorreu dois dias depois de Paulinho pedir ao ministro Flávio Dino, do STF, o afastamento de Nunes Marques e Mendonça das funções relacionadas à fiscalização da propaganda eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nunes Marques é presidente da Corte Eleitoral, enquanto Mendonça ocupa a vice-presidência.
André Mendonça
Na representação contra Mendonça, Paulinho afirma que o ministro teria atuado com “direcionamento político-eleitoral” e sustenta que decisões judiciais poderiam favorecer um grupo político ligado ao magistrado.
“Nos últimos dias, vem sendo amplamente noticiado que o Exmo. Senhor Ministro André Mendonça, no exercício da função jurisdicional na mais elevada Corte do sistema de Justiça brasileiro, tem atuado de forma parcial e com direcionamento político-eleitoral, tendo como guia não a Constituição Federal, e sim a criação de eventos processuais que possam favorecer o grupo político com quem ele tem ligação”, diz o documento.
A petição também menciona informações relacionadas ao Instituto Iter, entidade fundada por Mendonça, e um encontro entre o ministro e Vorcaro para tratar de precatórios. O deputado questiona ainda a atuação de Mendonça no caso Banco Master e compara as providências adotadas pelo magistrado em relação a Alexandre de Moraes com o tratamento dado a informações envolvendo Nunes Marques.
Paulinho afirma que Mendonça não teria tomado medidas diante de informações sobre um contrato de R$ 427 milhões atribuído à chamada “Turma do KN”.
“Embora os fatos sejam muito graves e evidentes, o Ministro André Mendonça nada fez, adotando padrão decisório completamente diferente do que direcionou contra seu desafeto, Ministro Alexandre de Moraes. Nem mesmo a existência de contrato de R$ 427 milhões da ‘Turma do KN’ com o Banco Master ensejou quaisquer providências judiciais”, afirma.
Kassio Nunes Marques
No pedido contra Nunes Marques, o deputado concentra os questionamentos em alegados benefícios financeiros e relações entre pessoas do entorno do ministro e Vorcaro.
A representação cita mensagens sobre hospedagens e eventos, além da chamada “Turma do KN”. Também menciona um suposto pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do presidente do TSE, atribuído ao ex-banqueiro.
Outro ponto citado é o contrato de R$ 427 milhões envolvendo a “Turma do KN” e o Banco Master. Para Paulinho, os episódios deveriam ter provocado providências investigativas.
O pedido ocorre enquanto Nunes Marques também é alvo de questionamentos sobre sua atuação na condução da Justiça Eleitoral. O ministro afirmou nesta quinta-feira (1º) que o TSE tem dado respostas rápidas às representações eleitorais e contestou a existência de represamento de decisões individuais.
Luiz Fux
Na representação contra Luiz Fux, Paulinho questiona a permanência do ministro em processos relacionados ao Banco Master. O deputado cita mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do magistrado.
O episódio mencionado envolve um precatório bilionário relacionado à Agro Industrial Tabu, que teria interesse para o Banco Master. Segundo a representação, o contato ocorreu antes de um julgamento no STF.
Com base nesses fatos, Paulinho sustenta que Fux estaria em situação de suspeição e não deveria participar de processos relacionados ao caso. Na petição, o deputado afirma que o ministro “procede de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo”.
A representação também questiona a atuação de Fux em relação ao episódio. Segundo a argumentação apresentada por Paulinho, o ministro só se manifestou contra o pedido relacionado ao caso em junho de 2026, quando Vorcaro já estava preso.
Ao final, o deputado pede que os três ministros sejam investigados por crime de responsabilidade. Na conclusão das representações, afirma:
“Os fartos indícios divulgados na imprensa convivem com o silêncio dos Ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Junto com o silêncio deles convivem alguns milhões de reais para o Instituto Iter, a intimidade de Vorcaro com Rodrigo Fux e quase meio bilhão de reais para a ‘Turma do KN’, tudo formalizado em mensagens e contratos, e nada submetido à mínima investigação. Enquanto isso, por direcionamento político e ideológico, o Ministro Alexandre de Moraes era investigado à revelia do devido processo legal na véspera das Eleições de 2026. Cabe ao Senado Federal compreender esse paradoxo!”, concluiu Paulinho.
