Lula e Flávio encerram campanha em São Paulo

As campanhas presidenciais de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) escolheram São Paulo para os últimos atos eleitorais antes do primeiro turno. As agendas estão marcadas para sábado (3), véspera da votação.

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A programação de Flávio será no interior paulista. O candidato fará uma carreata entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana, na região de Campinas, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição.

Lula encerrará a campanha na capital, com uma caminhada pela região da Avenida Paulista. O ato terá a participação do candidato petista ao governo paulista, Fernando Haddad, além das candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

A escolha de São Paulo coloca as duas campanhas no maior colégio eleitoral do país. O Estado tem 34,1 milhões de eleitores e concentra parcela relevante do eleitorado do Sudeste.

Em 2022, Lula terminou o primeiro turno atrás de Jair Bolsonaro em São Paulo. O petista teve 44,8% dos votos válidos, contra 55,2% do então presidente.

A campanha de Flávio também aposta na mobilização do interior paulista. O estado tem histórico de votação expressiva em candidatos identificados com a direita e a centro-direita. Desde 1989, a maior parte dos governadores eleitos em São Paulo pertenceu a esse campo político.

As duas campanhas chegam à reta final com estratégias voltadas a diferentes segmentos do eleitorado. Lula busca preservar sua vantagem entre mulheres e católicos e ampliar sua votação no Sudeste e no Nordeste. Flávio concentra esforços entre evangélicos e mulheres e afirma haver espaço para ampliar sua votação no Sudeste e reduzir a diferença no Nordeste.

Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28) registrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio. No segundo turno, os dois apareceram com 42% cada.

A legislação eleitoral permite a realização de comícios e reuniões públicas até as 22h do sábado (3), véspera da eleição.

Avenida Paulista

A Prefeitura de São Paulo informou que não autorizou a caminhada de Lula e Haddad na Avenida Paulista, prevista para sábado, às 10h.

Segundo a administração municipal, a decisão atende a uma requisição do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que determinou que a via permaneça desimpedida nos dias 3, 4, 24 e 25 de outubro. A campanha de Lula afirma que pretende manter o ato.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) apoia as campanhas de Tarcísio e Flávio Bolsonaro.

Disputa por eleitores religiosos

A religião também entrou nas estratégias das duas campanhas na última semana antes da votação. Flávio é evangélico e concentra maior intenção de voto entre eleitores dessa religião. Lula se declara católico e tem maior intenção de voto entre os católicos.

A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida levou Flávio a participar de uma entrevista em um podcast católico e a levantar uma imagem da santa durante uma agenda eleitoral. Lula também utilizou imagens de Nossa Senhora Aparecida em compromissos de campanha.

Publicações nas redes sociais atribuíram a Flávio e a outros políticos de direita a intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. Após a repercussão, voltou a circular uma live de agosto na qual Flávio afirmou que, se eleito, decretaria que o “Brasil é do Senhor Jesus”.

Na segunda-feira (28), outra declaração de Lula passou a ser explorada pelos adversários. Durante um comício em Belém (PA), o presidente falou sobre a resistência de homens ao exame preventivo do câncer de próstata.

“O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas. O homem não. Ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele.”

Flávio publicou um vídeo nas redes sociais no qual classificou a fala de Lula como “machista” e “preconceituosa”. O PT afirmou que o presidente “obviamente se referiu aos exames ginecológicos preventivos que fazem parte da cultura da saúde da mulher”.



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