O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso publicou nesta sexta-feira (25) um vídeo nas redes sociais em defesa da magistratura e criticou o que classificou como uma generalização negativa sobre a atuação do Poder Judiciário.
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Segundo Barroso, decisões e condutas inadequadas de integrantes da Justiça podem ganhar destaque desproporcional em relação ao trabalho cotidiano dos magistrados. Para ele, isso contribui para uma percepção distorcida sobre o funcionamento do Judiciário.
“As milhares de decisões diárias bem fundamentadas e que distribuem justiça não são notícia. Quando acontece um acidente, quando acontece alguma coisa errada, aí é a notícia”, afirmou.
Barroso disse que o Judiciário é formado por pessoas e, portanto, está sujeito a erros. Ele, porém, afirmou que episódios isolados não deveriam ser usados para caracterizar a atuação da magistratura como um todo.
“O Judiciário é composto por seres humanos, pode acontecer alguma coisa errada, mas, na generalidade da atuação do Judiciário, você tem juízes sérios, competentes, vocacionados, que fazem um imenso bem ao país e que não cabem em nenhuma generalização negativa”, declarou.
Comparação com acidentes
No vídeo, Barroso comparou o funcionamento das instituições às estradas. Segundo o ministro aposentado, acidentes podem ocorrer, mas não representam a finalidade ou a totalidade do serviço prestado por uma estrada.
A mesma lógica, afirmou, deveria ser aplicada ao Judiciário. Para Barroso, a repercussão de casos negativos não pode apagar o trabalho realizado diariamente por magistrados em diferentes regiões do país.
O ex-presidente do STF também mencionou experiências que teve durante sua passagem pela presidência da Corte, quando visitou diferentes Estados e teve contato com juízes que atuavam em regiões de difícil acesso ou sob ameaças.
“Conheci gente que leva dois dias de barco para chegar na comarca. Conheci juízes ameaçados de morte porque defendiam o meio ambiente. Juízes ameaçados de morte porque enfrentavam o crime organizado”, relatou.
Ao final da gravação, Barroso afirmou que magistrados que atuam com dedicação e integridade são importantes para o funcionamento das instituições.
“Um bom juiz, um juiz vocacionado, um juiz trabalhador, um juiz íntegro é uma bênção para o país, para a democracia, para a cidadania”, disse.
Barroso concluiu defendendo que os integrantes da magistratura sejam “valorizados e prestigiados”. O ministro antecipou sua aposentadoria do STF e deixou a Corte em outubro de 2025.
