O ‘Banco Central paralelo’ de Vorcaro – Claudio Dantas

A Polícia Federal (PF) identificou, a partir de mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, uma espécie de “assessoria paralela” no Banco Central (BC) em favor do banqueiro e dos interesses do Master, sua instituição. As informações estão em documentos cujo sigilo foi levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na noite de ontem (10).

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A estrutura envolveu dois servidores de alto escalão da área de supervisão bancária da autarquia: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Segundo a investigação da PF, ambos mantinham uma relação com Vorcaro que ultrapassava o contato institucional e incluía orientações sobre negócios do grupo, preparação de reuniões e análise de documentos.

Paulo Sérgio, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), teria orientado Vorcaro em operações envolvendo os bancos Voiter, Will Bank e Letsbank. O servidor também teria auxiliado o banqueiro na preparação de encontros com dirigentes do BC.

Em dezembro de 2023, por exemplo, Sérgio indicou os argumentos que deveriam ser apresentados por Vorcaro ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto. Entre os assuntos estavam questões de governança, precatórios e a atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A atuação teria avançado para documentos destinados oficialmente à própria autarquia. De acordo com a PF, Paulo Sérgio passou a revisar materiais que seriam encaminhados ao BC. Em um dos episódios, recebeu de Vorcaro um documento dirigido ao órgão e sugeriu alterações. Em outro, forneceu argumentos para subsidiar discussões internas relacionadas à aquisição do Will Bank. No relatório, a PF classifica esse tipo de atuação como uma “verdadeira assessoria paralela”.

Belline, então chefe do Desup, também aparece na investigação como um interlocutor próximo do banqueiro. Segundo a PF, ele teria atuado como consultor informal de Vorcaro, participado de reuniões privadas e tratado de assuntos que extrapolavam suas atribuições funcionais.

Em março de 2025, ao comentar a situação do Banco Master, Belline escreveu ao banqueiro: “precisamos chegar do outro lado”. Para os investigadores, a mensagem indica alinhamento com os objetivos empresariais de Vorcaro.

A atuação de Belline também teria incluído a análise de minutas destinadas ao Banco Central e ao FGC. Conforme o relatório, o servidor oferecia pareceres sobre as propostas apresentadas pelo Master e afirmava que trataria internamente da viabilidade das medidas.

Além da atuação dentro do BC, a PF identificou possíveis vantagens materiais destinadas aos servidores. No caso de Belline, foram encontrados registros de pagamentos mensais, supostamente operacionalizados por terceiros, além de indícios de uma contratação fictícia utilizada para mascarar os repasses. A investigação cita ainda uma viagem à França organizada por Vorcaro para Belline e sua mulher.



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