Número dois da PF defende Andrei: ‘Total confiança’

O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, defendeu há pouco o diretor-geral Andrei Rodrigues e afirmou que a corporação não se deixará abalar por “ataques”. A declaração foi feita durante o discurso de abertura do LXIII Curso de Formação Profissional (CFP) para agente de PF.

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Murad é o 2º na hierarquia da PF e assumiu interinamente o comando da instituição após o afastamento de Andrei. Ele foi afastado nesta manhã pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), “diante das inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes” do diretor-geral.

A decisão cita o encaminhamento a Alexandre de Moraes de ao menos seis “relatórios de inteligência” ilegais, produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026. Os dossiês ilegais foram usados pelo magistrado contra Mendonça.

Mendonça afirmou nesta manhã, com base no relatório ilegal de Moraes, que foi submetido a monitoramento ilícito e sistemático pela inteligência da PF por mais de 30 dias. O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, também foi alvo de monitoramento e de “coleta dirigida” de informações.

Na cerimônia, Murad reafirmou a confiança da cúpula da PF em Andrei e disse que a instituição manterá suas atividades apesar da crise. “Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. E aqui, reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança na direção geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos”, declarou.

O diretor-executivo também defendeu a atuação dos investigadores e afirmou que a PF trabalha de forma “técnica, imparcial e livre de qualquer viés político”: “Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei, e comprometidos exclusivamente com o interesse público nos mantém confiantes de que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá”.

Murad afirmou que as críticas à corporação não comprometem o trabalho dos policiais. “É essa absoluta certeza dos nossos valores e a nossa forma de atuar que fazem com que as tentativas de descredibilizar o nosso trabalho, com alegações dissociadas da realidade e outros disparates, não tenham qualquer repercussão interna, tampouco na sociedade e na imprensa”, continuou.

O número 2 da PF também afirmou que a instituição tem o “dever” de reagir a “ataques e tentativas de usurpação de funções”. Para ele, a divisão de atribuições entre os órgãos do sistema de Justiça é necessária para preservar as investigações.

“O respeito às atribuições de cada instituição no âmbito do sistema de justiça criminal garante a legalidade e a lisura das investigações e das futuras condenações criminais. Não se trata meramente de interesse institucional ou corporativismo. É o interesse público, o cumprimento da lei e a manutenção do sistema democrático”, completou, afirmando que a missão de promover a justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito é “inegociável”.

Quem é William Murad

Delegado de classe especial, William Marcel Murad é diretor-executivo da PF desde janeiro de 2025 e substituto imediato do diretor-geral. Com o afastamento de Andrei, passa a responder temporariamente pelo comando da corporação.

Murad tem trajetória concentrada em inteligência, tecnologia e operações de segurança pública. Entre 2021 e 2024, foi adido da PF na embaixada do Brasil em Londres. Antes disso, ocupou a Diretoria de Tecnologia da Informação e Inovação da corporação, entre Maio 2018 e Maio 2021.

Na área de inteligência, foi coordenador-geral de Inteligência da PF entre Ago. 2017 e Dez. 2017. Também comandou a Diretoria de Inteligência da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos entre Abr. 2015 e Ago. 2017.

Durante a preparação dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Murad coordenou a Operação de Inteligência de Segurança Pública do evento e integrou a estrutura responsável pela segurança dos grandes eventos realizados no país.

Na carreira operacional da PF, chefiou unidades de combate a crimes fazendários e ao tráfico de drogas. Também comandou a Delegacia de Polícia Federal em São José do Rio Preto/SP entre Jan. 2010 e Set. 2013.

Murad ingressou na carreira de delegado após concluir o Curso de Formação Profissional na Academia Nacional de Polícia (ANP), em Brasília, entre Jun. 2002 e Set. 2002.



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