O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça passou a adotar medidas adicionais de segurança em encontros reservados depois de tomar conhecimento de que sua rotina e sua atuação haviam sido acompanhadas pela inteligência da Polícia Federal (PF). Entre as precauções, visitantes são orientados a deixar os celulares em uma caixa blindada, capaz de bloquear sinais. As informações são do portal Poder 360.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Mendonça também passou a utilizar um sistema de som durante conversas privadas. Música erudita é mantida no ambiente como uma forma de dificultar eventuais tentativas de captação de áudio.
A mudança de comportamento ocorreu após o ministro ter acesso a documentos produzidos por uma unidade de inteligência da PF. Ao menos seis relatórios foram elaborados sobre sua atuação. O material analisava decisões tomadas por Mendonça em investigações como as operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.
Os documentos chegaram à direção-geral da PF entre 3 e 31 de agosto. Segundo as informações apresentadas no caso, os relatórios não traziam timbre, assinatura, data de elaboração ou identificação dos responsáveis pela produção. O material também era classificado como “documento de trabalho”, sem valor probatório.
A existência dos relatórios ganhou relevância dentro do próprio STF depois que o conteúdo foi encaminhado ao gabinete de Alexandre de Moraes. Em 1º de setembro, o então diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, enviou formalmente os documentos ao ministro.
Dois dias depois, Moraes utilizou o material para pedir que Mendonça fosse investigado no inquérito das Fake News. O episódio ocorreu no mesmo período em que Mendonça havia determinado o levantamento do sigilo de documentos da investigação do Banco Master que expunham a relação entre o empresário Daniel Vorcaro e Moraes.
Mendonça aponta “monitoramento sistemático”
Na decisão em que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, Mendonça afirmou que foi alvo de um acompanhamento sistemático por integrantes da inteligência da PF.
O ministro classificou a prática como ilícita e afirmou que o caso poderia representar uma “verdadeira arapongagem institucional”. Ele também comparou o episódio ao ambiente de vigilância descrito no livro 1984, de George Orwell.
“Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que, por si só, revela a gravidade da situação”, escreveu Mendonça.
Além do afastamento dos dois dirigentes, o ministro determinou que a Corregedoria da PF identifique quem determinou a produção dos relatórios e quais agentes participaram da elaboração. A apuração também deverá verificar a eventual existência de outros documentos produzidos com a mesma finalidade.
