O silêncio ensurdecedor do Supremo sobre o caso Master-Moraes

A crise interna que chacoalha o Supremo Tribunal Federal (STF) após a decisão do ministro André Mendonça de quebrar o sigilo de relatório da Polícia Federal (PF) envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro inaugurou uma nova dinâmica entre os Supremos: a da blindagem silenciosa e do contra-ataque cirúrgico nos bastidores.

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Publicamente, a sessão plenária de ontem (02), a 1ª desde as revelações bombásticas, tentou transmitir uma imagem de absoluta normalidade. Nenhum ministro subiu à tribuna ou procurou os microfones da imprensa para fazer uma defesa verbal explícita de Moraes.

O silêncio obsequioso, no entanto, esconde uma intensa articulação subterrânea capitaneada pelo “campo majoritário” do tribunal.

Liderados pelo decano Gilmar Mendes, ministros da ala mais influente do Supremo já desenharam a estratégia jurídica para enterrar a investida de Mendonça. A avaliação interna é de que o colega cometeu um “pecado capital” ao avançar sobre autoridades sem uma “autorização” dos demais ou provocação dos órgãos competentes.

Gilmar atua agressivamente nos bastidores para consolidar o entendimento de que a coleta de provas contra Moraes deve ser integralmente anulada. Essa movimentação ganhou o oxigênio necessário com a manifestação do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.

Ao classificar o relatório da Polícia Federal como “nulo” e apontar que Mendonça excedeu os limites de sua competência, Gonet, também citado nas mensagens, deu o “verniz jurídico” que o grupo de Gilmar precisava para isolar a ala lavajatista/bolsonarista do Supremo.

No meio do fogo cruzado, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tenta equilibrar os pratos. Ciente de que o desgaste institucional é imenso, Fachin tem sinalizado que prefere uma saída institucional rápida a um julgamento público sangrento.

Embora interlocutores apontem que ele pode pautar o caso para o plenário físico — forçando os ministros a deliberarem abertamente sobre a validade da investigação —, o objetivo principal é estancar a “guerra civil” interna antes que a imagem da Corte sofra danos irreversíveis perante a opinião pública e o Congresso Nacional.

Se faltam palavras públicas de apoio a Moraes, sobram gestos. Uma cena que marcou o encerramento da sessão de ontem foi pedagógica e explícita. No Salão Branco do STF, os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Fachin se reuniram ao redor de Alexandre.

Entre risadas e conversas descontraídas à vista de quem passava, o grupo selou um pacto visual de unidade. Enquanto isso, André Mendonça deixou o prédio isolado.

Em Brasília, o silêncio e um sorriso no corredor costumam valer muito mais do que qualquer nota oficial à imprensa. O recado está dado: Mendonça esticou a corda, mas a maioria dos Supremos se moveu rápido para garantir que ela não arrebente do lado de Moraes.



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