“Contra o aborto e drogas”

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que, caso seja eleito, pretende indicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros contrários ao aborto e às drogas. Em entrevista a Record, exibida neste domingo (30), o senador também disse que buscará nomes que considere “patriotas” e capazes de recuperar a segurança jurídica e a credibilidade da Corte.

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“Vou indicar homens e mulheres que sejam comprometidos em serem contra o aborto, em serem contra as drogas e que não usem a caneta pra fazer injustiça com ninguém”, afirmou.

Flávio não antecipou nomes para o STF. Segundo ele, divulgar possíveis indicados antes da eleição provocaria críticas antecipadas. O senador, no entanto, estabeleceu o perfil que pretende priorizar caso chegue ao Palácio do Planalto.

“O perfil vai ser esse: homens e mulheres que sejam de verdade patriotas e que pensem em trazer segurança jurídica de volta e resgatar a credibilidade do Supremo”, declarou.

O próximo presidente da República poderá indicar quatro ministros para o STF durante o mandato, conforme as vagas forem abertas por aposentadorias compulsórias ou outros motivos previstos em lei.

Anistia e Jair Bolsonaro

A declaração sobre o Supremo ocorreu durante uma resposta sobre a condenação de Jair Bolsonaro (PL) e os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Flávio afirmou que pretende trabalhar pela aprovação de uma anistia logo no início de um eventual governo.

“Eu vou honrar todas as pessoas que foram perseguidas no oito de janeiro. O presidente (Jair) Bolsonaro foi julgado pelos seus inimigos. (…) Foi uma grande farsa, a que não apenas o presidente Bolsonaro foi submetido, mas todos esses do oito de janeiro”, afirmou.

O senador também disse que, caso a anistia não seja aprovada pelo Congresso a tempo, poderá conceder indultos.

“Caso não dê tempo de acontecer, vamos indultar, sim, essas pessoas”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de indicar o próprio pai para algum cargo em seu eventual governo, Flávio não descartou a hipótese, mas afirmou que nunca conversou com Jair Bolsonaro sobre o assunto.

“Eu não sei. Eu nunca conversei com ele se ele quer, se ele teria interesse nisso. Logicamente, até hoje eu ouço o presidente (Jair) Bolsonaro. Cada passo que eu dou na minha vida, eu penso nele todos os segundos nessa campanha”, disse.

Segurança pública

Na área de segurança, Flávio voltou a defender a classificação do Comando Vermelho, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de milícias como organizações terroristas. A proposta prevê também o emprego das Forças Armadas em apoio às forças de segurança estaduais.

O candidato defendeu ainda acordos internacionais para ampliar o intercâmbio de inteligência no combate ao tráfico de drogas e armas e à lavagem de dinheiro. Ele, porém, descartou a participação direta dos Estados Unidos em operações no território brasileiro.

Economia

Na economia, Flávio voltou a prometer um “tesouraço” nas contas públicas, com redução de gastos e impostos. Segundo o candidato, sua equipe econômica prepara mudanças em mais de mil atos normativos para os primeiros dias de um eventual governo.

“O ajuste fiscal no Brasil é a coisa mais fundamental que precisa ser feita. (…) Como é que eu vou resolver isso? Equilibrando as contas, cortando gastos, é ‘tesouraço’ na burocracia, é ‘tesouraço nos impostos’, é ‘tesouraço’ em mais de mil atos normativos que a minha equipe econômica está preparando para fazer logo no primeiro dia do governo”, afirmou.

Flávio também propôs o uso de inteligência artificial para monitorar despesas públicas, licitações, emendas parlamentares e nomeações. A ideia, segundo ele, seria centralizar os dados em uma estrutura digital capaz de acompanhar os gastos do governo em tempo real.



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