O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que magistrados não devem buscar riqueza ou poder como objetivo profissional. A declaração foi feita na última sexta-feira (21), durante seminário da Associação Nacional dos Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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Ao falar para estudantes de Direito, Mendonça defendeu que a carreira jurídica seja orientada pelo serviço à sociedade e à Justiça. Segundo o ministro, a magistratura oferece boa remuneração, mas exige controle das despesas e não elimina preocupações financeiras.
Mendonça também relatou que os dois primeiros anos no STF foram de “muita infelicidade”. Segundo ele, chegar à Corte representa o ápice do poder humano sob o ponto de vista jurídico, mas a posição é acompanhada por responsabilidades e ônus maiores do que qualquer outro aspecto da função.
O ministro afirmou ainda que, após assumir o cargo no Supremo, decidiu tirar três anos sabáticos sem pregar ou exercer atividades eclesiásticas públicas diretamente.
Durante o seminário, Mendonça também defendeu maior presença de evangélicos no Judiciário. Segundo ele, dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que há mais ateus e agnósticos na magistratura do que evangélicos. O ministro afirmou que a questão não deve ser tratada como disputa por cotas, mas como a possibilidade de evangélicos concorrerem às vagas por meio de concursos públicos.
Mendonça citou ainda a liberdade, a igualdade e a fraternidade, princípios associados à Revolução Francesa, para defender a fraternidade como elemento central da conduta humana. Na avaliação dele, a liderança no Judiciário deve ser exercida com humildade, sem confundi-la com subserviência.
“Na essência, eu quero dizer para vocês: não coloque seu coração no poder, não coloque seu coração no dinheiro, porque você vai se frustrar. Se esse for o propósito, ouçam a experiência de quem poderia dizer ‘cheguei ao ápice do poder na Justiça’. Você vai se frustrar. Eu convivo com outros colegas e conversamos com alguns colegas mais abertamente, e tenham certeza de que o ônus e a responsabilidade é muito maior do que qualquer outra coisa, que nós continuamos tendo os mesmos problemas, entre aspas. Não somos diferentes, não deixamos de ser humanos e temos muitas das vezes uma sobrecarga desumana. Por isso, eu disse, no início: jovens, queiram servir à justiça no Judiciário, no Ministério Público, na Defensoria, nas Procuradorias, na advocacia. Queiram. Mas o eixo de propósito não pode ser o ganhar dinheiro ou ter poder”, afirmou o magistrado durante evento.
O seminário teve coordenação acadêmica de Mendonça e apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e da Associação dos Magistrados do Distrito Federal (Amagis-DF). Pela manhã, o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) participou do evento. O mnistro tomou posse como membro da Academia Mackenzista de Letras (AML).
