Mendonça manda recado a Moraes e Dino sobre sigilo da fonte

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que a Polícia Federal investigue a origem de informações sigilosas que chegaram à imprensa durante as apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na decisão, o magistrado estabeleceu que a investigação deve se concentrar em quem tinha o dever de preservar os dados e eventualmente violou o sigilo.

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Mendonça também reforçou a proteção constitucional ao sigilo da fonte jornalística e afirmou que a apuração não deve ser direcionada aos profissionais responsáveis pela publicação das informações.

“Na condução da investigação já instaurada, a autoridade policial deve zelar pela irrestrita observância à garantia constitucional da preservação do sigilo da fonte, plasmada no inciso XIV do art. 5º da Lei Fundamental em favor dos profissionais jornalistas.”

Em outro trecho, o ministro delimitou o foco da apuração. Segundo Mendonça, o objetivo deve ser identificar “aqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram”, e não jornalistas que tiveram acesso indireto aos dados no exercício da profissão.

A decisão ocorre em meio à repercussão de medidas determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes contra fontes de um jornalista que publicou reportagens sobre o ministro Flávio Dino.

Caso envolvendo fonte de jornalista

Em 11 de agosto, Moraes autorizou busca e apreensão contra o ex-secretário do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo. O profissional havia publicado reportagens sobre deslocamentos de Dino e o uso de veículos oficiais no Maranhão.

O caso provocou críticas de entidades ligadas à imprensa e reacendeu o debate sobre os limites das investigações envolvendo jornalistas e a proteção constitucional do sigilo da fonte.

Moraes sustentou que o sigilo da fonte é uma garantia prevista na Constituição, mas afirmou que essa proteção não poderia ser utilizada para encobrir práticas ilícitas. Durante julgamento no STF, o ministro diferenciou o exercício do jornalismo da eventual prática de crimes relacionados à obtenção de informações.

Mendonça estabeleceu, em sua decisão, uma delimitação para a investigação sobre os vazamentos do caso Lulinha. O ministro afirmou que a PF deve buscar quem teve acesso originalmente aos dados e possuía obrigação legal ou funcional de mantê-los sob sigilo.

“A apuração não deve ter como foco, em hipótese alguma, os autores ou quaisquer responsáveis pela veiculação das notícias jornalísticas.”

Para Mendonça, a proteção deve alcançar profissionais da imprensa “com ou sem diploma”, desde que estejam exercendo a atividade jornalística.

Recado também alcança debate sobre diploma

A manifestação ocorre poucos dias depois de Moraes e Dino defenderem uma nova discussão sobre a dispensa de diploma específico para o exercício do jornalismo.

Durante sessão no STF, Dino afirmou que a decisão da Corte que afastou a obrigatoriedade do diploma poderia voltar a ser debatida diante das mudanças provocadas pelas redes sociais.

Moraes concordou com a necessidade de reflexão sobre o tema e mencionou a possibilidade de regulamentação da atividade.

A posição de Mendonça na decisão sobre os vazamentos considera jornalistas aqueles que exercem a profissão independentemente da apresentação de diploma. O ministro incluiu essa ressalva ao estabelecer que a investigação deve identificar pessoas que tinham dever funcional de preservar os dados ou que não possuíam autorização para acessá-los.

Investigação sobre Lulinha

A determinação de Mendonça surgiu no contexto das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que passaram a tramitar no STF após o compartilhamento de elementos pela Polícia Federal.

O ministro determinou que a PF apure como informações protegidas por sigilo chegaram ao conhecimento público e quem foi responsável por eventual violação.

Na avaliação de Mendonça, a preservação do sigilo é necessária para garantir tanto a regularidade das investigações quanto o trabalho da imprensa.

O ministro afirmou que a imprensa exerce papel relevante em uma sociedade democrática e que a investigação de eventuais vazamentos deve preservar os mecanismos que permitem o exercício da atividade jornalística.



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