O presidente Lula (PT) defendeu, em conversa por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “grupos criminosos” não se “confundem” com organizações terroristas. A ligação ocorreu na manhã desta sexta-feira (21) e durou uma hora e 20 minutos.
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O petista e o republicano também trataram das tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e de conflitos internacionais. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa ocorreu em “tom amistoso e cordial”.
Lula afirmou a Trump, de acordo com nota divulgada nas redes sociais, que o Brasil tem instrumentos próprios para enfrentar organizações criminosas e defendeu a cooperação com os EUA na área de segurança: “Argumentei que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmei que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”.
Lula também informou Trump sobre medidas “adotadas” pelo governo brasileiro para combater o crime organizado. “Informei sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de 17 bilhões de reais, e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima”, continuou o petista.
“Também comentei sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. Mencionei o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. O Presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”, completou.
Os Estados Unidos oficializaram o PCC e o CV como organizações terroristas em 5 de junho. A medida é criticada pelo governo petista, que teme que a classificação seja usada como justificativa para uma eventual intervenção dos EUA no Brasil.
Lula também defendeu, na ligação, a retomada das negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo o Planalto, o presidente afirmou a Trump que as justificativas apresentadas pelo governo americano para as medidas “são infundadas”. Entre os argumentos citados pelos EUA estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e trabalho forçado.
“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”.
Lula afirmou ainda que conversou com Trump sobre os “principais conflitos globais” e citou a guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito no Oriente Médio: “Concordamos sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. O Presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã”.
“Lamentei a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugeri aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propus a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. Afirmei que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, finaliza a nota do petista.
Telefonei, nesta manhã (21), para o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Conversamos por uma hora e vinte minutos sobre temas do relacionamento bilateral e da agenda global.
Sobre a recente imposição de novas tarifas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas…
— Lula (@LulaOficial) August 21, 2026
