TSE e USP estudam mudanças na urna para ‘facilitar votação’

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou neste ano parceria com o Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (LARC), da Escola Politécnica (Poli) da USP, e com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP para desenvolver mudanças na interface das urnas eletrônicas “para facilitar a acessibilidade durante a votação”.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A iniciativa integra o projeto “Eleições do Futuro”, desenvolvido pelo LARC em parceria com a Justiça Eleitoral. Uma das frentes é buscar alternativas ao teclado físico da urna para ampliar a autonomia de eleitores com deficiência.

Segundo Lúcia Filgueiras, professora de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica e pesquisadora do LARC, atualmente pessoas com deficiência podem votar acompanhadas de alguém de sua confiança, que pode operar o teclado da urna. A solução, porém, compromete o sigilo do voto.

“Hoje, essas pessoas podem votar. Qualquer pessoa com deficiência pode votar com a ajuda de uma pessoa da sua confiança, que ela leva para a cabine de votação e que pode inclusive digitar no teclado físico. O problema é que isso fere a autonomia dessas pessoas. O ideal é que todo mundo tenha direito ao sigilo do voto.”

Os pesquisadores passaram a estudar mecanismos de interação que não dependessem exclusivamente do teclado físico. A mudança exigiu repensar a disposição dos conteúdos na tela e levou à parceria com a FAU.

“Quando a gente começou a pensar nessas alternativas, percebeu que, para fazer teclados de natureza virtual, precisaria reorganizar as informações que já estão apresentadas na tela. E foi aí que surgiu a proposta dessa parceria com a FAU na competição de design”, afirmou Filgueiras.

A participação dos alunos ocorreu no fim do ano passado, durante uma disciplina ministrada pelo professor Leandro Velloso. A atividade adotou o chamado design paralelo, em que diferentes equipes desenvolvem soluções para um mesmo problema.

“Surgem vários caminhos. Então, a gente consegue comparar propostas, identificar o ponto forte de uma e combinar as ideias. Como o professor Leandro trabalha justamente com o design da informação, que é o tema desse problema que a gente precisava resolver, decidimos fazer uma competição para explorar esses vários caminhos com os alunos da disciplina”, explicou Lúcia.

Os estudantes pesquisaram questões de acessibilidade, analisaram os fluxos da votação e da urna e desenvolveram protótipos com diferentes soluções. Segundo Velloso, o processo permitiu explorar alternativas para a interface.

“Os alunos fizeram uma pesquisa ampla sobre as questões de acessibilidade, análise dos fluxos do voto e dos fluxos da urna. Geraram diversas alternativas. Cada grupo desenhou várias possibilidades até criar os protótipos, que foram submetidos à competição”.

A proposta inicial era manter o máximo possível das características da urna atual e concentrar as mudanças na criação de um teclado acessível. Durante o desenvolvimento, porém, os alunos identificaram outras possibilidades de aperfeiçoamento.

“Os alunos acabaram mergulhando fundo nas questões das urnas e começaram a olhar mais coisas. Eles resolveram, cada um ao seu modo, essa questão da acessibilidade, mas também sugeriram outras melhorias que acabam beneficiando todo mundo”, afirmou Velloso.

Entre as sugestões estão, de acordo com a USP, “mudanças na tipografia, nos elementos gráficos e na hierarquia das informações apresentadas na tela”.

As tecnologias ainda estão em fase de testes para verificar “se atendem à abrangência de acessibilidade esperada”. Segundo a USP, as alterações podem ampliar a autonomia e o acesso ao voto de diferentes grupos, incluindo pessoas com deficiência, idosos, eleitores com dificuldades de visão e aqueles com pouca familiaridade com tecnologias.



Fontes – Link Original

Classificado como 5 de 5

Compartilhe nas suas Redes Sociais

Facebook
Twitter
WhatsApp

Parceiros TV Florida