A Polícia Federal iniciou a transferência para o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), dos dados brutos das investigações sobre os desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O procedimento começou há mais de uma semana e ainda está em andamento devido ao volume do material.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Entre os arquivos estão mensagens extraídas do celular da lobista Roberta Luchsinger, próxima a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Também serão encaminhados dados bancários do filho do presidente Lula.
A transferência ocorre após uma disputa entre Mendonça e a Polícia Federal sobre o acesso ao material produzido nos inquéritos. O ministro determinou que os dados fossem enviados de forma bruta e indexada, permitindo pesquisas no conteúdo.
Mendonça teria levantado suspeitas sobre possíveis vazamentos de informações da investigação para integrantes do Palácio do Planalto. O ministro também questionou a atuação da PF em algumas frentes da apuração e decidiu ter acesso direto ao material para acompanhar o andamento das investigações.
A determinação provocou reação da cúpula da Polícia Federal. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e outros integrantes da direção consideraram que a medida representava uma interferência direta do ministro na condução das apurações.
A PF pediu que a Advocacia-Geral da União (AGU) contestasse judicialmente a decisão. A solicitação, porém, não recebeu uma resposta formal.
Diante disso, a corporação decidiu cumprir a determinação de Mendonça. O ministro é o relator dos processos relacionados às investigações sobre os desvios no INSS.
O material ainda está sendo organizado e encaminhado ao gabinete do magistrado. A quantidade de documentos produzidos nos inquéritos tornou necessária uma transferência gradual dos arquivos.
Além das mensagens de Roberta Luchsinger e dos dados bancários de Lulinha, o conjunto inclui documentos e demais informações obtidos durante as investigações da Polícia Federal.
Roberta Luchsinger também esteve no centro de uma crise envolvendo a campanha de Lula à reeleição. A lobista foi apontada como próxima de Lulinha e sua relação com o filho do presidente esteve relacionada ao afastamento de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, da campanha.
