Presidente repetiu fala em convenção do PDT; senador já moveu notícia-crime contra petista por declaração anterior
Em convenção do PDT em Brasília, Lula sugeriu que “traidores” deveriam ser enforcados, mirou em Flávio Bolsonaro e, sem provas, o responsabilizou pelo tarifaço de 25% dos EUA. O presidente também desafiou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a apoiar Flávio e vir ao Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a sugerir o enforcamento de “traidores”. O discurso ocorreu durante a convenção do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que oficializou o apoio à reeleição do petista. A declaração teve como alvo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em discurso na sede do PDT em Brasília, Lula afirmou que “antigamente traidor era enforcado”. Ele criticou brasileiros que viajam aos Estados Unidos para defender medidas contra o país. Sem citar nomes, o presidente disse que “hoje temos não um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para os Estados Unidos impor punição ao Brasil.”
O presidente atribuiu a Flávio Bolsonaro, sem apresentar provas, a responsabilidade pelo tarifaço de 25% imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.
Lula usou o termo pela segunda vez para atacar um membro da família Bolsonaro. Em junho, o presidente já havia feito uma afirmação semelhante, mas errou ao declarar que a Coroa enforcou Joaquim Silvério dos Reis. Na realidade, o Estado executou Tiradentes na forca em 1792, enquanto Silvério dos Reis apenas delatou a Inconfidência Mineira.
Lula desafiou secretário de Estado dos EUA
Além de atacar Flávio, o presidente provocou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. “Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar o meu adversário, que venha, que monte um comitê”, afirmou Lula. “Porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país.”
Lula afirmou ainda, sem provas, que “não temos o direito de permitir que o negacionismo e o fascismo voltem a pensar em governar este país”. Ele ressaltou que “o valor do que significa a democracia para o povo brasileiro” é “sagrado” para ele.
Flávio já havia apresentado uma notícia-crime ao STF contra o presidente depois da primeira declaração. Na petição, o senador afirma que Lula incentivou apoiadores a cometer homicídio contra ele ao relacioná-lo a “traidores da pátria” e citar enforcamento.
PDT foi o primeiro partido a formalizar apoio a Lula
O PDT foi o primeiro partido a oficializar apoio à pré-candidatura de Lula à reeleição. O presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, afirmou que “PDT não falta” e que “votamos Lula, votamos 13”.
Lupi comparou o momento político à Inconfidência Mineira. “De um lado, é o time de Joaquim José da Silva Xavier, de Tiradentes, ao qual nos filiamos. Do outro é o do Silvério dos Reis.”
A convenção ocorreu no primeiro dia do período autorizado pela Justiça Eleitoral, que vai até 5 de agosto. O PDT já havia indicado apoio a Lula desde o início da campanha.