“Não vejo motivos para me encontrar com Zelensky”, diz Putin

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (5) que não vê razões para se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, rejeitando a proposta de diálogo direto apresentada pelo líder ucraniano em uma carta aberta divulgada na véspera.

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A iniciativa de Zelensky buscava abrir um novo canal de negociação entre os dois países e previa um encontro presencial em território neutro, além da adoção de um cessar-fogo total durante as tratativas para um acordo de paz.

Ao comentar a proposta, Putin questionou a sinceridade da mensagem enviada por Kiev e indicou que o documento não contribui para a construção de um ambiente favorável ao diálogo.

“Esta carta contém algumas observações bastante grosseiras. Seria uma forma de criar as condições para um encontro presencial ou uma forma de evitar esse encontro? Creio que foi a segunda opção”, declarou o líder russo.

A avaliação contrasta com a sinalização feita um dia antes pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que havia afirmado que Zelensky poderia ir a Moscou “a qualquer momento” para conversar com Putin. Segundo autoridades russas, o presidente ainda não havia analisado o conteúdo da carta quando a declaração foi feita.

No documento, Zelensky faz duras críticas à condução da guerra por parte do governo russo e afirma que o conflito tem gerado custos humanos e econômicos crescentes para ambos os países. O presidente ucraniano defendeu que as negociações sejam conduzidas com garantias de segurança capazes de impedir uma nova escalada militar no futuro.

“A escolha agora é sua. Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra. Isso deve ser feito com honestidade, dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida”, escreveu.

O líder ucraniano também sugeriu que a reunião ocorra fora da Rússia e da Ucrânia, mencionando países tradicionalmente envolvidos em negociações internacionais, como Suíça, Turquia e nações do mundo árabe.

Apesar da nova tentativa de aproximação, as negociações permanecem travadas. Moscou e Kiev seguem distantes em temas considerados centrais para qualquer acordo, especialmente em relação aos territórios ocupados durante a guerra.

A Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e áreas do leste do país, e exige novas concessões territoriais de Kiev para avançar nas conversas. A Ucrânia, por sua vez, rejeita a retirada de suas tropas das linhas atuais e insiste em obter garantias de segurança dos aliados ocidentais.

Enquanto os esforços diplomáticos não avançam, os combates continuam. Autoridades ucranianas informaram que novos ataques russos atingiram diferentes regiões do país durante a madrugada desta sexta-feira, provocando mortes e danos a infraestruturas civis, incluindo escolas, unidades de saúde, áreas residenciais e instalações portuárias.

Na quinta-feira (4), Putin voltou a afirmar que as tropas russas seguem avançando no campo de batalha e declarou que propostas de paz defendidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderiam contribuir para encerrar o conflito caso a Ucrânia aceitasse fazer concessões.



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