O presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), uma das entidades alvo da operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (27), que apura descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, recebeu Auxílio Emergencial durante a pandemia da Covid-19.
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Em dezembro, Américo Monte Júnior compareceu à CPMI do INSS, mas permaneceu em silêncio na maior parte do depoimento após obter um habeas corpus que o autorizou a não responder às perguntas. Ele recebeu Auxílio Emergencial entre 2020 e 2021 e, no período de quatro anos, tornou-se multimilionário.
O ex-presidente da entidade, Felipe Macedo Gomes, também prestou depoimento à CPMI e não respondeu aos questionamentos dos parlamentares.
O atual dirigente da ABCB mora em uma casa de alto padrão em Alphaville, conhecido por seus condomínios de luxo em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Ele é apontado como responsável pela estrutura e gestão de associações investigadas e foi alvo de busca e apreensão em sua residência.
Além disso, Júnior passará a ser monitorado eletronicamente por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou crescimento acelerado da ABCB. A entidade firmou Acordo de Cooperação Técnica com o INSS em 2022. No fim daquele ano, tinha 53 mil associados. Um ano depois, em dezembro de 2023, passou a 212 mil. Em dezembro de 2024, chegou a 303 mil. O aumento elevou os repasses recebidos do INSS. Em 2022, a ABCB recebeu R$ 1.034.360 do Instituto. Em 2023, os repasses ultrapassaram R$ 82 milhões.
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), em setembro de 2024, também apontou indícios de irregularidades na ABCB. A CGU entrevistou 1.273 aposentados e pensionistas vinculados a entidades. Desses, 64 eram associados à Amar Brasil Clube de Benefícios, mas 62 (96,9%) afirmaram não ter autorizado os descontos.
A nova fase da operação investiga a atuação de três núcleos regionais envolvidos nas fraudes, com alvos em diferentes regiões. Segundo a PF, a ação teve como objetivo “aprofundar as investigações que visam esclarecer a prática de diversos crimes contra a Administração Pública, tais como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e de dilapidação patrimonial”.