Relatório da Polícia Federal enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça concluiu que o Banco Regional de Brasília (BRB) teve participação nas operações investigadas envolvendo o Banco Master e “não foi vítima” da estratégia considerada fraudulenta pelos investigadores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Segundo o documento, os dirigentes do banco público já tinham conhecimento das suspeitas de irregularidades nas carteiras de crédito vendidas pela instituição de Daniel Vorcaro desde o início das operações, ainda em 2024, mas decidiram manter os contratos mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos.
“Os depoimentos indicam que o BRB não foi vítima da estratégia fraudulenta do Banco Master”, afirmou a PF no relatório encaminhado ao STF.
A corporação sustenta que os gestores do BRB seguiram autorizando as operações mesmo após tomarem conhecimento do descumprimento de cláusulas contratuais, da ausência de comprovantes de averbação e de falhas nos controles internos das carteiras adquiridas.
“Contrariando a diligência exigida na gestão contratual, os gestores mantiveram a operação mesmo após terem ciência formal do descumprimento de cláusulas contratuais referentes ao repasse financeiro, da inexistência dos comprovantes de averbação e de diversas outras fragilidades operacionais”, diz outro trecho do relatório.
A PF também destacou que parte da gestão das carteiras era feita manualmente, por meio de planilhas de Excel, sem mecanismos adequados de governança e fiscalização.
As investigações apontam que o BRB adquiriu cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos consignados considerados suspeitos ou fictícios. De acordo com a apuração, parte das carteiras continha informações inconsistentes, como e-mails falsos e idades incompatíveis.
Um relatório interno de auditoria do próprio BRB, apreendido durante a Operação Compliance Zero, já teria identificado irregularidades nas carteiras em abril de 2025. Mesmo assim, segundo a PF, as compras continuaram nos meses seguintes.
“Esse conjunto fático evidencia, de maneira robusta, a participação do BRB na condução das práticas irregulares implementadas pelo Banco Master”, escreveu a Polícia Federal.
Depoimentos colhidos pela investigação também apontam pressão interna para aprovação acelerada de contratos. Em um dos trechos do relatório, a PF relata que funcionários do banco assinaram contratos em sequência, sem tempo adequado para análise técnica.
“A equipe do BRB, pressionada pelo horário de fechamento, assinou três contratos sucessivos em um intervalo de poucos minutos, após diversas mudanças operacionais, sem a devida análise técnica”, registrou a corporação.
Anotações atribuídas à ex-diretora de Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, também reforçariam os alertas internos sobre as operações. Em um dos registros apreendidos, ela escreveu: “Compras: 90% fora da política”.
Em outro trecho da agenda, a ex-diretora relatou fala atribuída ao então presidente do banco, Paulo Henrique Costa: “se não houver, o Master vai quebrar”.
O relatório ainda cita suspeitas de pagamento de propina ao ex-presidente do BRB. Segundo a investigação, Daniel Vorcaro teria prometido R$ 146,5 milhões em imóveis de luxo a Paulo Henrique Costa. A PF afirma que os bens teriam sido ocultados por meio de fundos de investimento e empresas ligadas a terceiros.
Paulo Henrique Costa foi preso em abril durante nova fase da Operação Compliance Zero. Até o momento, o BRB não se manifestou sobre as conclusões apresentadas pela Polícia Federal.