A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) que um dos investigados na 6ª fase da operação Compliance Zero teria determinado a retirada completa de móveis e objetos de uma residência em Lagoa Santa (MG) pouco depois de uma prisão relacionada ao caso, em um movimento que, segundo os investigadores, pode ter comprometido a preservação de provas.
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De acordo com o relatório da PF, David Henrique Alves, alvo da nova etapa da operação deflagrada nesta quinta-feira (14), teria orientado um subordinado, Victor Lima Sedlmaier, a esvaziar integralmente o imóvel. A ação teria ocorrido em 5 de março, um dia após a prisão de Fabiano Campos Zettel, apontado como cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, durante a fase anterior da investigação.
A decisão que autorizou a nova ofensiva policial, assinada por André Mendonça, reúne os elementos colhidos pela investigação e descreve a movimentação como potencial tentativa de retirada de materiais com valor probatório.
Segundo os agentes, Victor não apenas tinha ligação próxima com o suposto líder do grupo, como também teria participado diretamente da remoção de bens e equipamentos do imóvel, em um momento considerado sensível para a apuração. Ele teria ido ao local inicialmente em um veículo importado, com acesso à chave da residência, e depois retornado com um caminhão de mudança para retirar o restante dos pertences.
Para a PF, a sequência de ações reforça a suspeita de que o imóvel tenha sido “desmobilizado” logo após a evasão de David Henrique Alves, o que poderia indicar a eliminação ou ocultação de evidências relacionadas ao esquema investigado.
As apurações também detalham a atuação de dois núcleos apontados como parte da estrutura criminosa. Um deles, chamado “Os Meninos”, seria responsável por ataques cibernéticos, invasões de sistemas, derrubada de perfis e monitoramento digital irregular. O outro, conhecido como “A Turma”, teria perfil mais violento, com atuação em ameaças e intimidações contra adversários do grupo.
Segundo a investigação, ambos os núcleos seriam coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, que morreu após ser preso pela PF em março. Ele seria o elo entre os grupos operacionais e o núcleo central atribuído ao esquema investigado, ligado a supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o entorno de Vorcaro.
Os investigadores sustentam que as duas frentes atuavam de forma complementar, cumprindo ordens de uma estrutura hierarquizada, com divisão entre ações digitais, intimidação física e monitoramento ilegal de alvos definidos pela organização.