“CPI do Master já”, diz Flávio após supostos repasses para filme sobre Bolsonaro

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta terça-feira (13) uma nota à imprensa em que cobra a instalação da CPI do Banco Master e nega ter recebido vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira investigada na Operação Compliance Zero.

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“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos”, afirmou o senador.

Na nota, Flávio declarou que o envolvimento da família Bolsonaro com o projeto cinematográfico “Dark Horse” ocorreu por meio da busca de patrocínio privado para a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, disse.

O posicionamento foi divulgado após reportagem de O Globo revelar que o Banco Master repassou ao menos R$ 2,329 milhões, em 2025, para a empresa Entre Investimentos, apontada como ligada à estrutura financeira usada para viabilizar o longa inspirado em Bolsonaro.

Segundo a publicação, os valores aparecem em declarações de Imposto de Renda entregues à Receita Federal. A empresa tem como sócio-administrador Antonio Carlos Freixo Júnior e aparece vinculada às movimentações financeiras do projeto.

Flávio afirmou que conheceu Daniel Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando, segundo ele, ainda não havia acusações públicas contra o banqueiro.

“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, declarou.

O senador também afirmou que o contato com Vorcaro foi retomado apenas após atrasos em parcelas relacionadas ao financiamento da produção cinematográfica.

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, disse.

Na nota, Flávio negou qualquer contrapartida política ou vantagem pessoal nas tratativas envolvendo o projeto.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou.

O senador ainda comparou sua relação com Vorcaro às ligações do banqueiro com integrantes do governo Lula.

“Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”, escreveu.

Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, investigado como operador financeiro do banqueiro, discutiram pagamentos ligados ao filme “Dark Horse” em mensagens obtidas pela investigação.

As conversas mencionam atrasos em repasses e alternativas para transferências internacionais em dólar. Em uma das mensagens, Zettel teria enviado comprovante de transferência de US$ 2 milhões para um fundo ligado à produção.

O publicitário Thiago Miranda afirmou que intermediou a aproximação entre Vorcaro e os responsáveis pelo filme. Segundo ele, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi quem apresentou inicialmente o projeto ao empresário.

“Conversei com vários empresários e mostrei para o Daniel. Ele disse que tinha interesse em entrar como investidor”, afirmou Miranda ao jornal.

O publicitário também declarou que Flávio Bolsonaro não participou diretamente das negociações iniciais. “Quem sempre esteve à frente do filme foi o Mario Frias”, disse.

O longa “Dark Horse” tem estreia prevista para 11 de setembro, menos de um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais. O filme reconta episódios da trajetória política de Jair Bolsonaro, incluindo o atentado sofrido durante a campanha de 2018.

A produção é estrelada por Jim Caviezel, ator conhecido pelo filme “The Passion of the Christ”. O elenco também inclui Esai Morales e o brasileiro Marcus Ornellas, que interpretará Flávio Bolsonaro.

Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram presos em março durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. A defesa do banqueiro não se manifestou até o momento.

Assista ao vídeo do senador Flávio Bolsonaro:



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