O empresário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, foi intimado pela Polícia Federal (PF) para prestar depoimento nesta terça-feira (12), em Brasília, no inquérito que investiga uma suposta campanha coordenada nas redes sociais em defesa do Banco Master e contra o Banco Central.
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A investigação apura a contratação de influenciadores digitais para divulgar conteúdos críticos ao BC durante o processo envolvendo a liquidação do banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, as publicações apresentavam argumentos semelhantes e buscavam questionar a atuação da autoridade monetária.
O depoimento de Miranda ocorre em meio ao avanço das apurações sobre o chamado “Projeto DV”, nome atribuído à estratégia digital investigada pela corporação. A suspeita é de que perfis com grande alcance tenham recebido pagamentos para impulsionar narrativas favoráveis ao Master e críticas ao Banco Central.
A Polícia Federal já ouviu influenciadores e pessoas procuradas para participar da campanha. Entre os depoimentos colhidos está o do vereador Rony Gabriel (PL-RS), que relatou ter recebido uma proposta ligada à área de gestão de crise e reputação.
As investigações começaram em janeiro deste ano, após a PF identificar uma série de publicações consideradas coordenadas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Os conteúdos afirmavam, entre outros pontos, que a atuação do Banco Central teria sido precipitada e poderia prejudicar clientes da instituição financeira.
A apuração também busca esclarecer a origem dos recursos usados na campanha e o papel de empresas de comunicação e marketing na articulação das publicações. Segundo investigadores, perfis de diferentes segmentos participaram da divulgação dos conteúdos, incluindo páginas de entretenimento, celebridades e finanças.
A expectativa da PF é concluir essa etapa do inquérito após os depoimentos dos responsáveis pelas contratações.