O requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso Banco Master contou com 27 assinaturas de parlamentares do Progressistas (PP), partido presidido pelo senador Ciro Nogueira.
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O pedido foi protocolado em fevereiro deste ano pelo deputado Carlos Jordy e reuniu apoio de 281 parlamentares, sendo 239 deputados e 42 senadores. O PL liderou o número de assinaturas, com 89 apoios. Em seguida aparecem partidos do Centrão, como União Brasil, PSD, PP, MDB e Republicanos.
A movimentação ocorre no mesmo dia em que Ciro Nogueira foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura suposto favorecimento ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a Polícia Federal, o senador é suspeito de ter recebido “vantagens econômicas indevidas” em troca de atuação parlamentar favorável aos interesses do banco. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar e a empresas vinculadas a ele.
A decisão do ministro André Mendonça autorizou ainda bloqueio de bens que somam R$ 18,85 milhões. O irmão de Ciro também foi alvo das medidas judiciais.
As investigações citam mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Em uma das conversas, o banqueiro comemorou uma emenda apresentada por Ciro a uma proposta relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O texto sugeria elevar a cobertura do fundo de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante.
Segundo os autos, Vorcaro teria enviado o texto da emenda ao gabinete do senador. Após o envio, escreveu: “saiu exatamente como mandei”. Em outra mensagem, classificou a proposta como “uma bomba atômica” para o setor financeiro.
Ciro Nogueira nega irregularidades. Em manifestações anteriores, afirmou que mantém contato com diversas pessoas por mensagens e que isso não caracteriza proximidade ou atuação ilícita.