O ministro do STF Gilmar Mendes comparou nesta quinta-feira (23) as críticas feitas pelo pré-candidato à Presidência Romeu Zema contra integrantes da Corte a “fazer piadas com coisas sérias” e questionou se retratar o político como “homossexual” não seria ofensivo.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Ou se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? Só essa questão. É isso que precisa ser avaliado”, afirmou Gilmar, em entrevista.
Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la.
E não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema.
Desculpo-me pelo…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) April 24, 2026
No último dia 19, o ministro solicitou ao também ministro do STF Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news. O pedido se baseia em vídeo divulgado pelo ex-governador, no qual Gilmar e Dias Toffoli aparecem representados como bonecos em uma conversa sobre a CPI do Crime Organizado.
Zema reagiu à declaração e criticou a comparação. “Inacreditável. Gilmar Mendes equipara a nossa sátira dos intocáveis com uma possível sátira do STF me representando como homossexual e ladrão. Nem tenho mais palavras pra definir o que está acontecendo”, disse.
Ele também afirmou: “Esse sujeito extrapola cada vez mais os limites. Se comporta como um intocável. Acima de tudo e todos. Que vergonha”.
Em vídeo, Zema voltou a comentar o episódio. “Serio que você a acha a mesma coisa chamar alguém de homossexual ou de ladrão? Aí você mostrou todo o seu mais puro preconceito ao Brasil. E que história é essa de que sátira tem limites? Parece que você está até com saudade da ditadura”, declarou.
O deputado federal Nikolas Ferreira também comentou o caso e questionou a fala do ministro.
O episódio ocorre após a divulgação de conteúdo satírico nas redes sociais do ex-governador e amplia o embate entre integrantes do STF e aliados da oposição.