A carga tributária brasileira alcançou 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, o maior nível desde o início da série histórica iniciada em 2010. O dado representa um avanço de 0,18 ponto percentual em relação ao ano anterior, segundo estimativa divulgada pelo Tesouro Nacional.
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O indicador mede o peso dos tributos arrecadados por União, estados e municípios em relação à economia do país. O levantamento segue metodologia internacional baseada em padrões do Fundo Monetário Internacional (FMI), enquanto o dado oficial é consolidado pela Receita Federal.
União lidera aumento com renda e emprego em alta
O crescimento da carga tributária foi concentrado no governo federal, impulsionado principalmente pelo aumento na arrecadação do Imposto de Renda retido na fonte (IRRF). O avanço está associado à expansão da massa salarial e ao aumento do emprego formal, fatores que elevam automaticamente a retenção de tributos sobre rendimentos.
Também contribuíram para o resultado o desempenho do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com maior arrecadação em operações de crédito e câmbio, e o aumento das contribuições ao INSS, refletindo tanto a ampliação do mercado de trabalho quanto mudanças na política de desoneração da folha.
Estados perdem espaço e municípios avançam com serviços
Na esfera estadual, houve redução proporcional da carga tributária, com queda de 0,09 ponto percentual do PIB. Apesar de a arrecadação nominal ter crescido, o ritmo foi inferior ao da economia, especialmente devido ao desempenho do ICMS, principal tributo estadual.
Já os municípios registraram leve alta, de 0,03 ponto percentual, sustentada principalmente pelo crescimento da arrecadação do ISS, em linha com a expansão do setor de serviços. Tributos sobre propriedade, como o IPTU, também contribuíram, mas com impacto mais limitado.
Estrutura tributária segue concentrada no consumo
A composição dos tributos no país apresentou poucas mudanças. Impostos sobre bens e serviços continuam sendo a principal fonte de arrecadação, embora tenham perdido participação relativa. Em contrapartida, houve aumento na fatia de tributos sobre renda, lucros e ganhos de capital.
As contribuições previdenciárias também cresceram, acompanhando a evolução do emprego formal, enquanto os regimes próprios de previdência mantiveram estabilidade.
Tributos federais têm avanço relevante
Entre os principais impostos federais, destacaram-se:
- Imposto de Renda retido na fonte (IRRF): ampliou participação no PIB, refletindo maior número de trabalhadores e salários mais elevados
- IOF: avançou com o aumento de operações financeiras e ajustes em alíquotas
- Contribuições ao INSS: cresceram com a formalização do emprego e mudanças na tributação da folha
- Imposto de Importação: registrou alta acompanhando o comércio exterior
No caso do IRRF, o crescimento ocorreu sem aumento de alíquotas, sendo resultado direto da atividade econômica.
Brasil se aproxima de países ricos, mas com modelo distinto
Mesmo com o avanço, o nível de tributação brasileiro permanece ligeiramente abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), estimada em cerca de 34% do PIB, e bem acima da média latino-americana, próxima de 21%.
A diferença, porém, está na composição: enquanto economias desenvolvidas concentram maior parte da arrecadação em impostos sobre renda e patrimônio, o Brasil mantém forte dependência de tributos sobre consumo e folha de salários — modelo frequentemente apontado como mais regressivo.