Gestora infla ativo e Master usa para abater dívida com BRB

Operação gerou questionamentos de investidores e ajudou banco de Daniel Vorcaro a substituir R$ 560 milhões dos R$ 12,2 bi devidos ao BRB por carteiras falsas; procuradas, Reag e defesa do banqueiro não se manifestaram. A apuração foi publicada inicialmente pelo Estadão.

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A gestora Reag, responsável pela custódia de ativos do Banco Master, realizou uma operação contábil que permitiu à instituição ligada a Daniel Vorcaro abater cerca de R$ 560 milhões da dívida com o Banco de Brasília.

A manobra ocorreu após a reavaliação de um empreendimento imobiliário de alto padrão em São Paulo, vinculado ao fundo Trevi. O patrimônio líquido do ativo foi multiplicado por cerca de quatro mil.

Investidores apontaram ausência de base metodológica para a nova avaliação e cobraram explicações da gestora.

Os ativos do fundo foram transferidos ao BRB como parte do processo de compensação por prejuízos relacionados a operações fraudulentas estimadas em R$ 12,2 bilhões.

A substituição de carteiras não cobriu o rombo total. Estimativas indicam prejuízo de pelo menos R$ 8 bilhões, ainda sem valor final divulgado.

Procuradas, a Reag e a defesa de Vorcaro não se manifestaram. O BRB afirmou que recebeu cotas de fundos e que não participou das decisões de gestão dos ativos.

“Todas as decisões são de responsabilidade exclusiva dos gestores e administradores dos respectivos fundos, conforme regulamentação vigente”.

O fundo Trevi detém cotas do FIP Novo Bairro, responsável por um projeto imobiliário no bairro do Butantã, em São Paulo. A iniciativa envolve a construção de um condomínio de alto padrão em área próxima ao Jockey Club.

O Banco Master investiu R$ 181 milhões no projeto por meio de empréstimos realizados entre janeiro e junho de 2024. As operações têm taxa de 5% ao ano, acrescida de 100% do CDI, com vencimento em 2029.

As garantias são os próprios imóveis adquiridos. Como o projeto acumula dívidas, o patrimônio líquido inicial era baixo.

Em agosto, a avaliação saltou de R$ 409 mil para R$ 1,7 bilhão, sem quitação dos passivos.

Com isso, o Master utilizou sua participação no fundo para compensar parte da dívida com o BRB. Investidores contestam a legitimidade da operação.

Um dos parceiros do projeto, a Esfera Aquisições Imobiliárias, enviou questionamentos à gestão da Reag sobre a metodologia adotada e a ausência de divulgação ao mercado. Não houve resposta.

O Banco Central do Brasil liquidou o Banco Master em março, após identificar indícios de emissão de títulos falsos no valor de R$ 12,2 bilhões negociados com o BRB.

A partir disso, foi iniciado o processo de transferência de ativos para compensação. Técnicos envolvidos apontam dificuldade em mensurar o total já repassado.

O BRB informou que contratou investigação independente para apurar os fatos, conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio da Kroll Associates Brasil.



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