Em sua complexa campanha para garantir os 41 votos necessários para confirmar a indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, tem contado com um forte cabo eleitoral que em 2022 declarou apoio a Jair Bolsonaro: o bispo Samuel Ferreira, da Igreja Assembleia de Deus Madureira, segundo o O Globo.
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Ferreira integra um grupo que reúne lideranças evangélicas e ministros do STF, como André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin, que atuam nos bastidores em favor de Messias.
Presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira (Conamad), Ferreira declarou apoio à pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência.
“O Brasil não pode viver no extremo, nem da direita, nem da esquerda. É hora do Brasil viver no centro”, afirmou. “Não podemos continuar nessa polarização. O povo está cansado.”
Segundo relatos, o bispo tem feito contatos com senadores desde o fim do ano passado para defender a indicação de Messias à vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso.
Messias aposta no apoio de parlamentares evangélicos para superar a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
“Realizei contatos pontuais com alguns senadores, com o propósito exclusivo de destacar as credenciais de notório saber jurídico e reputação ilibada do ministro Jorge Messias. Sua trajetória revela sólida formação jurídica e atuação respeitável no serviço público”, afirmou Ferreira.
“Os contatos ocorreram com senadores aos quais tive acesso, sempre em caráter estritamente institucional. A religião não constitui critério determinante para o exercício da função de ministro do Supremo Tribunal Federal. As conversas concentraram-se exclusivamente na qualificação jurídica e técnica do indicado. A apreciação de seu nome deve se dar à luz de sua capacidade jurídica, experiência e compromisso com a Constituição.”
Dias após o anúncio da saída de Barroso, Ferreira foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, ao lado de Messias e do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP).
“O pastor nos relatou o crescimento da igreja e o acolhimento aos fiéis. Pude reiterar a relação de respeito que tenho pela Assembleia de Deus e o relevante trabalho espiritual e social promovido pela igreja”, escreveu Lula.
Segundo Ferreira, não houve pedido do governo para atuação em favor da indicação.
“Não houve qualquer solicitação, por parte dele, para atuação junto ao Senado em favor da referida indicação”, disse.
“Mantenho uma expectativa serena quanto ao desfecho da indicação, confiando que o Senado exercerá seu papel institucional e constitucional com responsabilidade. Não cabe antecipar cenários numéricos.”
Messias afirmou que recebe o apoio de lideranças religiosas.
“Agradeço igualmente aos meus irmãos que têm me sustentado através de suas orações”, declarou.
Lideranças evangélicas defendem a indicação como forma de ampliar um grupo mais alinhado a posições conservadoras no STF.
Caso seja aprovado, Messias ocupará a vaga deixada por Barroso.