O governo da Argentina determinou na tarde desta quinta-feira (02) que o principal representante diplomático do Irã no país deixe o território argentino em até 48 horas, após ser declarado “persona non grata”.
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O encarregado de negócios iraniano Mohsen Soltani Tehrani ocupa o cargo desde dezembro de 2021, quando teve suas credenciais aceitas durante o governo do socialista Alberto Fernández.
Segundo a chancelaria argentina, a expulsão é resposta a um comunicado recente do Irã, considerado “falso, ofensivo e improcedente” contra o país e suas autoridades. O governo de Javier Milei classificou a manifestação iraniana como uma “inaceitável ingerência” em assuntos internos.
A crise se intensificou após a Argentina declarar a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista. “Diante do terrorismo não pode haver trégua”, afirmou Milei em ato em Buenos Aires sobre as ruínas da sede diplomática anterior. “Deixamos claro onde nos posicionamos neste momento histórico em que os Estados Unidos e Israel decidiram pôr fim ao regime iraniano, uma tirania que não só mantém cativa sua própria população, mas que se dedicou a semear o terror durante décadas”, acrescentou.
O Irã respondeu acusando Milei de ultrapassar uma “linha vermelha imperdoável”. Antes, acusou o presidente argentino, aliado dos EUA e de Israel, de ser cúmplice dos ataques militares recentes contra o Irã.
Além disso, a Argentina voltou a cobrar cooperação do Irã nas investigações do atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, alegando “persistente negativa” iraniana em colaborar com a Justiça, incluindo o descumprimento de pedidos internacionais de prisão e extradição.
O governo iraniano classificou como “ilegal e infundada” a decisão argentina de rotular a Guarda Revolucionária como terrorista e alertou para impactos nas relações bilaterais.
O atentado de 1994 foi o maior ataque terrorista da Argentina. Uma explosão no prédio de uma entidade judia matou 85 pessoas. Dois anos antes, outro atentado contra a embaixada de Israel em Buenos Aires matou 29 pessoas.
O grupo Ansar Allah, braço paramilitar do Hezbollah, reivindicou o ataque à AMIA. O Hezbollah mantém relação próxima com o Irã, que fornece suporte financeiro a grupos terroristas do Oriente Médio.