A taxa média de juros do crédito consignado para trabalhadores do setor privado atingiu 59,4% ao ano em fevereiro, o maior patamar da série recente, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central do Brasil.
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O índice representa aumento de 2 pontos percentuais em relação ao mês anterior e acumula alta de 18,5 pontos em 12 meses. O nível atual supera o registrado antes da ampliação da modalidade para trabalhadores com carteira assinada, implementada pelo governo federal em 2025.
Além do consignado, outras linhas de crédito também ficaram mais caras. No rotativo do cartão de crédito, a taxa média chegou a 435,9% ao ano, com elevação expressiva no período. O movimento contribuiu para puxar a média geral de juros no país para 33% ao ano, o maior nível desde o início da série histórica do BC, em 2011.
O encarecimento do crédito ocorre em paralelo ao aumento do comprometimento da renda das famílias, que alcançou 29,3%. Já o nível de endividamento ficou em 49,7%, com avanço na comparação anual.
A inadimplência também apresentou alta, chegando a 5,5% nas operações com recursos livres. No consignado privado, o índice subiu de 5,4% para 6,3% em apenas um mês, indicando maior dificuldade de pagamento por parte dos trabalhadores.
O cenário tem gerado preocupação dentro do governo de Lula (PT), especialmente pelo impacto potencial sobre o consumo e a percepção econômica em ano eleitoral. Nos bastidores, há avaliação de que o aumento das dívidas pode neutralizar ganhos recentes de renda e emprego.
Diante disso, o governo já estuda medidas para reduzir o custo do crédito, sobretudo no rotativo do cartão, considerado uma das linhas mais caras do mercado.