O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que não haverá solução individual para o caso envolvendo o Banco Master.
“Não gostaria de fazer nenhum tipo de comentário que reduzisse a consternação dentro do BC. Para todos os servidores do BC, a ética é um valor muito caro. Realmente foi um processo de luto que ainda está sendo vivenciado por todos os servidores. E eu sinto muito isso”, disse.
Ao comentar o episódio, Galípolo rejeitou a ideia de protagonismo individual e defendeu atuação institucional. “É muito importante que cada um de nós desenvolva o seu papel institucional dentro do mais absoluto rigor. Significa não recuar e não ceder sobre o que são prerrogativas e o que é o seu mandato nem um milímetro e também não exacerbar buscando algum tipo de protagonismo”, afirmou.
“Não vai ter salvador da pátria para um momento como esse. Vai ser cada um de nós fazendo o que é nosso papel institucional que vai fazer a gente passar por esse desafio que está colocado para o país”, declarou.
O presidente do BC também afirmou que a estrutura colegiada da instituição funcionou como mecanismo de contenção diante das irregularidades envolvendo ex-servidores.
Galípolo voltou a defender a aprovação de um projeto de lei complementar para resolução bancária, em discussão no Congresso há cerca de uma década. Segundo ele, a legislação atual é defasada e limita a atuação em momentos de crise.
“O PLP de resolução bancária vai complementar uma década em discussão. Seria importante ter atualização de legislação que tem mais de 50 anos. E que pudesse ter ferramentas de atuação em caso de instabilidade de maneira mais rápida e com mais instrumentos”, disse.
Ele afirmou que o debate deve ocorrer antes de situações críticas. “A história mostra que, no fim do dia, a gente tem que usar essas ferramentas. A discussão é se vamos fazer em tempos de paz e calmaria, para a gente poder debater tranquilamente. Ou se vamos ser pressionados. O BC tem pouca dúvida: quando acontece essas coisas, os olhos se voltam para a gente e a gente é obrigado a tomar decisões neste momento”, concluiu.