O Banco Central recebeu, em julho de 2024, um ofício da Polícia Federal com alertas sobre possíveis irregularidades no Banco Master, incluindo a suspeita de controle oculto pelo empresário Nelson Tanure. A apuração é do SBT News.
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Em resposta ao delegado responsável, a autarquia informou que as suspeitas já haviam sido analisadas internamente e arquivadas.
O documento indica que o BC afirmou à PF que os fatos eram conhecidos desde 2023, quando um fundo de investimento apresentou questionamentos semelhantes.
Segundo o Banco Central, as informações foram avaliadas no contexto do aumento de capital da instituição e não houve necessidade de abertura de procedimento específico.
A autarquia informou que tomou a decisão após análise de documentos apresentados por representantes de Daniel Vorcaro e com base no acompanhamento contínuo feito por áreas de supervisão.
As denúncias passaram por diferentes departamentos internos, incluindo supervisão bancária, resolução e ação sancionadora, organização do sistema financeiro e supervisão de instituições não bancárias.
O BC também afirmou que parte das suspeitas relacionadas a operações societárias não era de sua competência, mas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Investigação e desdobramentos
A Polícia Federal já investigava o Banco Master desde 2023, com apuração sobre fundos de investimento ligados à instituição.
A resposta do Banco Central foi enviada quatro meses antes de o banqueiro Daniel Vorcaro firmar um termo de compromisso com o órgão, em novembro de 2024, para ajustes na gestão do banco.
À época, o BC era presidido por Roberto Campos Neto.
Posteriormente, o Banco Master foi liquidado pela autarquia em meio a investigações que apontam suspeitas de fraude.
Suspeitas envolvendo servidores
Investigações mais recentes indicam que dois servidores do Banco Central são suspeitos de auxiliar o empresário Daniel Vorcaro.
Segundo a apuração, Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de Fiscalização, e Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, teriam prestado “consultoria” informal e repassado informações sigilosas.
Ambos foram afastados, utilizam tornozeleira eletrônica e respondem a sindicância interna, que tramita sob sigilo.
A assessoria do Banco Central informou que não comenta casos sob investigação.