Deivis Marcon Antunes, ex-presidente da Rioprevidência, está negociando um acordo de colaboração premiada com a Justiça Federal no Rio de Janeiro. O executivo foi preso preventivamente, em fevereiro, no âmbito da operação Barco de Papel, deflagrada pela 6a Vara Criminal. Na semana passada, o STJ rejeitou habeas corpus apresentado por sua defesa.
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Na decisão, o ministro Carlos Pires Brandão entendeu haver indícios de autoria e materialidade dos crimes, além de risco concreto de interferência nas investigações. A Polícia Federal suspeita que Antunes atuou em conluio no aporte de ao menos R$ 1 bilhão da RioPrev no Banco Master. Posteriormente, ele teria atuado para destruir provas.
A PF identificou movimentação atípica de malas e caixas entre imóveis associados ao ex-presidente, retirada de objetos pouco antes da operação de busca e apreensão e reorganização patrimonial envolvendo veículos de luxo em meio ao avanço das investigações, além de formatação do sistema de câmeras de seu condomínio para destruição de imagens.
GESTÃO TEMERÁRIA
A investigação se baseia em auditorias e apurações que indicam falhas graves na gestão dos investimentos do Rioprevidência, apontando ausência de estudos técnicos para decisões de investimento, mudanças em regras internas que facilitaram a aplicação de recursos, concentração elevada de valores em uma única instituição financeira, e uso de intermediários sem justificativa formal.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) chegou a determinar a suspensão de novos investimentos ligados ao banco investigado.
Embora o inquérito principal sobre o Banco Master tramite no Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao envolvimento de autoridades com foro, o desdobramento específico sobre o RioPrevidência permanece na primeira instância da Justiça Federal fluminense. Eventual delação de Deivis, porém, pode fazer o caso ser deslocado para o STJ ou para o Supremo.
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