O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez críticas à ampliação dos gastos sociais promovida pelo governo do presidente Lula (PT) e alertou para os riscos fiscais associados à política econômica atual.
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Durante participação no evento Global Invest Day, nesta terça-feira (17), o economista afirmou que o ritmo de crescimento das despesas é “insustentável”.
Segundo Meirelles, embora programas sociais sejam necessários, houve uma expansão acelerada desses gastos nos últimos anos, sem o devido equilíbrio nas contas públicas. Para ele, o país precisa adotar uma estratégia mais estruturada, com foco no controle de despesas e no cumprimento rigoroso das regras fiscais.
O ex-ministro destacou que o aumento dos gastos públicos, quando não acompanhado de ajustes, tende a pressionar a dívida, além de gerar efeitos como inflação e elevação dos juros.
“Não é possível contornar os fundamentos econômicos. O gasto excessivo acaba se refletindo no aumento da dívida pública e no custo do crédito”, afirmou.
Dados recentes indicam que as despesas com assistência social cresceram de forma expressiva nos últimos anos, ao mesmo tempo em que a dívida pública também avançou.
Embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha registrado expansão no período, Meirelles avalia que parte desse crescimento foi impulsionada justamente pelo aumento do endividamento, o que, segundo ele, compromete a sustentabilidade no longo prazo.
O economista também apontou fragilidades no atual modelo fiscal adotado pelo governo. O arcabouço em vigor, que substituiu o antigo teto de gastos, permite maior flexibilidade nas despesas, mas, na avaliação de Meirelles, apresenta exceções que reduzem sua efetividade no controle das contas públicas.
Além disso, ele criticou o volume elevado de benefícios fiscais concedidos a diferentes setores da economia, estimado em centenas de bilhões de reais por ano, e questionou a eficiência de parte dessas políticas.
Para o ex-ministro, o caminho para o crescimento sustentável passa por reformas estruturais e maior responsabilidade fiscal. Ele defendeu que a geração de empregos pelo setor privado é a forma mais eficaz de promover inclusão social, desde que o ambiente econômico favoreça investimentos e estabilidade.
Meirelles concluiu que o Brasil precisa reforçar o compromisso com regras fiscais mais rígidas e evitar a ampliação contínua de exceções orçamentárias, sob risco de comprometer o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.