Caminhoneiros de diversas regiões do país articulam uma paralisação nacional que pode ocorrer nos próximos dias, em meio à escalada do preço do diesel e à insatisfação com as medidas adotadas pelo governo federal. As informações são da Folha de S.Paulo.
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Segundo lideranças do setor, a mobilização envolve tanto motoristas autônomos quanto profissionais contratados por transportadoras. A categoria já teria decidido pela paralisação, restando apenas a definição de uma data e o alinhamento entre entidades regionais.
Presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que as medidas anunciadas pelo governo não tiveram impacto real no preço do combustível.
“O que foi feito até agora não serviu para nada. O governo já sabia que a Petrobras ia aumentar o preço do diesel depois. Então, na prática, não gerou redução nenhuma. Precisamos ter alguma garantia”, disse.
De acordo com ele, a insatisfação se agravou após o reajuste promovido pela Petrobras logo após o anúncio de um pacote de redução de tributos sobre o diesel, o que, na avaliação da categoria, anulou qualquer benefício ao consumidor final.
Landim também destacou que o aumento dos custos tem tornado a atividade inviável para muitos caminhoneiros.
“A categoria deliberou para cruzar os braços, não tem condições de manter o trabalho. Entendemos os fatores externos, mas somos dependentes de importação, o que torna a situação insustentável”, afirmou.
Além do preço do combustível, os caminhoneiros cobram o cumprimento da tabela de frete mínimo, prevista em lei desde 2018. Segundo o líder da Abrava, a falta de fiscalização faz com que muitos profissionais aceitem valores abaixo do piso.
“Estamos lutando pela lei, que não tem cumprimento na ponta”, disse.
Ele também criticou a atuação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável por fiscalizar o cumprimento da regra.
O governo federal acompanha a movimentação e já iniciou conversas com representantes da categoria. Apesar disso, há descrença quanto à efetividade das negociações.
“Estamos cansados de nos sentarmos com o governo. Pode até ter diálogo, mas as dificuldades continuam e nada se resolve”, afirmou Landim.
A possibilidade de paralisação ocorre em um cenário de pressão internacional sobre os preços do petróleo, agravado por tensões geopolíticas, o que impacta diretamente o valor dos combustíveis no Brasil.
Sem consenso e diante da escalada de custos, a categoria volta a considerar a paralisação como forma de pressionar por medidas mais efetivas, o que pode gerar reflexos no abastecimento e na logística em todo o país.