O governo do presidente Donald Trump propôs que o Brasil receba em presídios nacionais estrangeiros detidos nos Estados Unidos. A medida integra uma proposta de cooperação bilateral no combate ao crime transnacional.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
As negociações passaram a ser conduzidas diretamente pela Casa Branca, e não pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, segundo apuração. A centralização no núcleo político da administração indica que o tema ganhou prioridade na agenda entre os dois países.
A proposta foi apresentada nas conversas entre autoridades americanas e o governo Lula. O tema pode integrar os anúncios previstos durante a visita de Lula a Washington, atualmente prevista para abril.
Cooperação penitenciária
A iniciativa prevê que o Brasil receba estrangeiros capturados nos Estados Unidos, em modelo semelhante ao adotado por El Salvador, que mantém presos estrangeiros na penitenciária de segurança máxima Cecot.
O plano faz parte de uma proposta mais ampla de cooperação no enfrentamento de organizações criminosas internacionais.
Entre as demandas americanas está a apresentação, pelo Brasil, de um plano para combater grupos que atuam no país, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho, o Hezbollah e redes ligadas ao crime organizado chinês.
A proposta também inclui o compartilhamento de informações com autoridades americanas, incluindo dados biométricos de estrangeiros que solicitam refúgio ou asilo no Brasil.
Segundo autoridades dos EUA, a medida faz parte de uma estratégia para combater rotas migratórias irregulares e ampliar o controle sobre redes de criminalidade transnacional.
Negociações em andamento
As demandas americanas integram uma contraproposta enviada por Washington após um plano de cooperação apresentado pelo governo brasileiro.
A iniciativa foi sugerida por Lula durante conversa telefônica com Trump no ano passado, com o objetivo de ampliar a colaboração na área de segurança.
O plano brasileiro previa quatro eixos de cooperação, incluindo combate à lavagem de dinheiro, bloqueio de ativos ilegais nos EUA, cooperação entre autoridades alfandegárias e reforço no combate ao tráfico internacional de armas.
As negociações continuam em andamento entre autoridades dos dois países. Um dos pontos sensíveis é a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que ainda é discutida nas tratativas diplomáticas.