O Partido dos Trabalhadores protocolou quatro representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra políticos e influenciadores que impulsionaram, nas redes sociais, conteúdos críticos ao presidente Lula (PT) após o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o chefe do Executivo no carnaval deste ano.
Nas ações, a legenda sustenta que houve propaganda eleitoral antecipada negativa e solicita, em caráter liminar, que a Meta Platforms suspenda o impulsionamento das publicações questionadas. O partido também pede que os representados sejam impedidos de promover novos anúncios com conteúdo semelhante ao já contestado.
A relatoria dos processos está com a ministra Estela Aranha.
Mapeamento
As representações foram embasadas em um levantamento que circula entre integrantes do primeiro escalão do governo e da cúpula petista. O documento lista 54 figuras públicas — entre deputados, senadores, prefeitos, vereadores e criadores de conteúdo — que teriam pago para ampliar o alcance de postagens críticas ao presidente.
De acordo com relatos de aliados, o material é o primeiro diagnóstico mais estruturado produzido por governistas para dimensionar o que classificam como uma ação articulada da oposição com foco no desgaste político de Lula. A avaliação no Palácio do Planalto é de que o episódio pode sinalizar estratégias a serem adotadas durante o ciclo eleitoral.
Os valores investidos, segundo o mapeamento, variam majoritariamente até R$ 100 por publicação, com casos pontuais que não ultrapassariam R$ 700. A tabela detalha autor, número de seguidores, tempo de veiculação, estimativa de público alcançado e alcance efetivo dos anúncios.
Entre os nomes mencionados estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), os deputados federais Filipe Barros (PL-PR) e Paulinho da Força (Solidariedade-SP), além de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Câmara.
Debate sobre regras eleitorais
A ofensiva ocorre em meio à discussão, no TSE, sobre a atualização das regras para as eleições. O PT apresentou sugestões à Corte, questionando trecho que estabelece que críticas ao desempenho de administrações públicas não configuram, por si só, propaganda eleitoral antecipada negativa. Para a sigla, a interpretação pode gerar desequilíbrio na disputa.
Nesta semana, o tribunal também decidiu proibir a divulgação de conteúdo eleitoral produzido com inteligência artificial nas 72 horas que antecedem o pleito.