O candidato socialista António José Seguro (PS) venceu o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, com 66,4% dos votos válidos, contra 35,1% de André Ventura, do partido da direita antissistema Chega. Seguro assumirá no lugar do social-democrata Marcelo Rebelo de Souza (PSD), marcando o retorno da esquerda pura à Presidência portuguesa após 20 anos.
Embora a Presidência em Portugal tenha funções mais de representação e arbitragem, a vitória é vista internamente como uma resposta ao crescimento do Chega nas eleições legislativas anteriores (2024 e 2025), a social-democracia de Luís Montenegro havia vencido, mas sem maioria absoluta.
A fragmentação do campo de centro-direita foi um dos fatores determinantes para a vitória da esquerda. No segundo turno, Ventura não conseguiu atrair o apoio formal do PSD e de outras legendas. O discurso antissistema de Ventura levou liberais e social-democratas a declararem apoio a Seguro ou a adotarem a neutralidade para evitar o que chamaram de “trumpização” do país.
Apesar da derrota, o desempenho de Ventura e do Chega é considerado histórico e consolida o partido como uma força central na política portuguesa, ampliando sua base de eleitores em pelo menos 10% em relação às eleições legislativas e atingindo um terço do eleitorado. O resultado transforma o deputado em principal voz da oposição e do campo não-socialista.