Segundo Costa, banco identificou mudanças documentais, mas não inexistência de ativos
Em depoimento prestado em dezembro do ano passado, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal (PF) que não há clareza de que as operações envolvendo o Banco Master tenham configurado fraude.
Segundo Costa, o que foi identificado pelo banco público foi uma alteração no padrão documental e na forma de originação dos créditos, sem que houvesse, à época, indícios de inexistência dos ativos negociados.
“A gente não tem clareza até hoje que isso foi uma fraude. O que a gente percebeu foi uma mudança de padrão documental e de originação do crédito”, afirmou o ex-presidente do BRB à PF.
Ele relatou que os arquivos encaminhados ao banco indicavam a realização regular de averbações e a ocorrência de débitos mensais, o que reforçava, naquele momento, a aparência de normalidade das operações.
Costa também destacou a dimensão do negócio, que envolvia cerca de R$ 12 bilhões, aproximadamente 400 mil CPFs e cerca de 1 milhão de contratos.
De acordo com o ex-presidente, ao adquirir os créditos, o BRB seguiu os procedimentos usuais de mercado, incluindo o registro das operações e o envio das informações ao Banco Central (BC).
No ano passado, o BRB tentou adquirir o Master, operação que foi barrada pelo BC e que atualmente é alvo de investigação da PF. As apurações indicam suspeita de fraude na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas adquiridas pelo banco público durante as negociações com a instituição de Vorcaro.
À PF, Paulo Henrique Costa, afirmou que a maior parte desses ativos foi trocada, mas cerca de R$ 2 bilhões não foram recuperados. O banco estatal busca levantar recursos para cobrir os prejuízos relacionados à aquisição dos ativos.