O banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, se recusou a fornecer a senha de seu telefone celular durante depoimento prestado à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 30 de dezembro do ano passado. O aparelho havia sido apreendido no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira.
A oitiva ocorreu nas dependências do Supremo Tribunal Federal (STF), por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito, e foi conduzida pela delegada Janaína Palazzo.
Durante o depoimento, a PF solicitou acesso ao conteúdo do celular, mas o pedido foi negado por Vorcaro e por seu advogado, Roberto Podval.
Segundo a defesa, a negativa teve como objetivo preservar informações de caráter pessoal sem relação com os fatos investigados.
“O sigilo das comunicações dele e a nossa preocupação menos tem a ver com qualquer relação comercial do banco empresarial, mas com relações pessoais e privadas”, afirmou Podval.
O advogado também mencionou receio de exposição indevida em razão de supostos vazamentos da investigação. Ele declarou que, apesar da promessa de “sigilo absoluto”, perguntas formuladas pela PF teriam sido divulgadas pouco tempo depois à imprensa.
Durante a oitiva, Vorcaro negou a existência de fraudes e afirmou que busca esclarecer os fatos.
“O que eu mais quero é restabelecer a verdade. Essa fraude que foi colocada, ela não existiu, e não era para ter liquidado o banco”, disse.