Integrantes do chamado Gabinete Paralelo do ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediram auxílio de um tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia (PMBA) para censurar manifestantes em 8 de novembro de 2022, segundo mensagens obtidas com exclusividade pela revista Oeste. Na ocasião, os juízes auxiliares Ayrton Vieira e Marco Antônio Vargas, além do então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, Eduardo Tagliaferro, discutiam a aplicação de multas contra caminhoneiros que seguiam em direção a Brasília, em protesto contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo solicitou apoio para identificar placas de veículos e investigar possíveis financiadores do movimento.
Nas mensagens, Tagliaferro sugere elaborar um relatório para Moraes com nomes de empresas ligadas aos caminhoneiros. Vieira responde elogiando a ideia: “Se puder, muito melhor, Eduardo. Obrigado.” Logo depois, Vargas compartilha uma conversa que manteve com o tenente-coronel José Luiz Santos Silva, da PMBA. Poucos dias depois, em 23 de novembro de 2022, o militar participou de uma reunião com Moraes, na condição de secretário-geral do Conselho Nacional de Comandantes Gerais (CNCG). Após o encontro, José Luiz classificou a reunião como “tranquila e amistosa”, afirmando que a intenção era discutir melhorias para eleições futuras, sem previsão de novos encontros. Moraes, por sua vez, agradeceu às forças de segurança e anunciou que concederia ao CNCG a Medalha de Ordem do Mérito Assis Brasil, homenagem a civis e militares que prestaram relevantes serviços à Justiça Eleitoral.
A reportagem da Oeste relaciona os novos documentos ao escândalo conhecido como “Vaza Toga”, série de revelações publicadas inicialmente pela Folha de S. Paulo com base em denúncias de Glenn Greenwald e Fábio Serapião, que expuseram bastidores do Judiciário. Agora, com a apuração de David Agapi e Eli Vieira, publicada no site Public, surgem novos indícios de articulações paralelas dentro do TSE, ampliando os questionamentos sobre a atuação de Moraes e seus auxiliares durante o processo eleitoral de 2022.
Fonte: Revista Oeste