O presidente Donald Trump revogou a escolta do Serviço Secreto da ex-vice-presidente Kamala Harris, benefício que havia sido discretamente prorrogado pelo então presidente Joe Biden antes de deixar a Casa Branca em 20 de janeiro de 2025. Tradicionalmente, ex-vice-presidentes recebem seis meses de proteção após o fim do mandato — o que significaria que Harris perderia a escolta em 21 de julho. No entanto, uma autoridade sênior da administração confirmou ao The Post que Biden estendeu a proteção por um ano completo pouco antes de deixar o cargo.
Segundo a ordem assinada por Trump na quinta-feira, a retirada da proteção de Harris terá efeito a partir de 1º de setembro. A decisão, inicialmente noticiada pela CNN, ocorre no momento em que Harris se prepara para publicar suas memórias sobre a fracassada campanha presidencial de 2024, na qual se tornou a primeira democrata em 20 anos a perder o voto popular. “Você está, por meio desta, autorizado a descontinuar quaisquer procedimentos de segurança anteriormente autorizados por Memorando Executivo, além daqueles exigidos por lei, para o seguinte indivíduo, com efeito a partir de 1º de setembro de 2025: ex-vice-presidente Kamala D. Harris”, dizia a carta obtida pela CNN.
Ainda não está claro por que Biden decidiu estender a proteção de Harris, mas fontes disseram ao veículo que sua candidatura, raça e gênero podem ter sido fatores determinantes. Imagens mostraram Harris e o marido Doug Emhoff em atividades cotidianas acompanhados por agentes, como em compras em um supermercado em Westwood, Califórnia, em 23 de janeiro de 2025.
Em março, Trump já havia revogado a autorização de segurança de Harris, impedindo a ex-vice-presidente de acessar informações confidenciais. A medida também atingiu Biden, a candidata democrata de 2016 Hillary Clinton, o promotor distrital de Manhattan Alvin Bragg e a procuradora-geral de Nova York Letitia James.
O Serviço Secreto protege o presidente, o vice-presidente e suas famílias durante o mandato, estendendo a proteção vitalícia a ex-presidentes e seus cônjuges, além de seus filhos até completarem 16 anos. Biden havia assinado uma ordem executiva ao fim do mandato ampliando o benefício à sua família, mas Trump reverteu a decisão ao assumir o cargo, retirando a escolta do filho Hunter Biden e da filha Ashley Biden.
Hunter chegou a ser visto em março, na África do Sul, acompanhado de uma grande equipe de segurança, o que levantou questionamentos sobre o uso de recursos do governo para custear viagens de um cidadão privado.
Trump também encerrou a proteção de diversas outras figuras públicas, como o ex-diretor do Instituto Nacional de Saúde Anthony Fauci, o ex-secretário de Segurança Interna Alejandro Mayorkas, o ex-assessor de segurança nacional John Bolton e o ex-secretário de Estado Mike Pompeo, entre outros.